Ministério da Saúde busca centros no exterior para ajudar Lito Sousa

Padilha mantém contato direto com a família, enquanto pasta procura instituições que pesquisam a doença de Creutzfeldt-Jakob
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Por Cleber Lourenço

O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, está em contato direto e pessoal com a família do piloto e influenciador Joselito Geraldo de Sousa, conhecido como Lito Sousa, para tentar auxiliar na busca por um tratamento experimental contra a doença de Creutzfeldt-Jakob (DCJ). Ao mesmo tempo, o Ministério da Saúde tenta estabelecer contato com centros de pesquisa que estudam a doença no exterior, ampliando a procura por alternativas para além das instituições já buscadas pela família.

A movimentação ocorre enquanto Lito e sua esposa, Mila Seidl, tentam abrir caminho para que o influenciador seja avaliado por pesquisadores envolvidos em tratamentos experimentais nos Estados Unidos. Entre as frentes estão a Mayo Clinic e um estudo desenvolvido por pesquisadores ligados a Harvard, além de outros centros que trabalham com doenças priônicas (condições neurodegenerativas raras causadas por proteínas anormais chamadas príons, que destroem o cérebro).

Padilha havia confirmado publicamente apenas que o governo estava em contato sobre o caso. No domingo (23), um usuário do X pediu ao ministro que desse atenção a Lito e mencionou especificamente o pedido de ajuda feito a pesquisadores da Mayo Clinic. Padilha respondeu: “Estamos em contato”.

O ICL Notícias apurou que esse contato envolve diretamente o ministro e a família. Uma fonte do Ministério da Saúde que acompanha a movimentação afirmou que Padilha mantém interlocução pessoal com os familiares e que a pasta também procura centros especializados para verificar de que maneira pode ajudar.

“Ele está em contato com a família”, afirmou a fonte. “E está em contato também com os centros que fazem pesquisas sobre essa doença para poder ajudar da melhor forma possível.”

A atuação ocorre em duas frentes: auxiliar nas tentativas já iniciadas pela família para chegar aos pesquisadores responsáveis pelos tratamentos experimentais e procurar outras instituições que possam avaliar o caso de Lito.

Mila Seidl esposa de Lito Sousa — Foto: Reprodução/ Instagram
Mila Seidl esposa de Lito Sousa — Foto: Reprodução/ Instagram

Harvard é uma das principais frentes

Uma das possibilidades procuradas pela família está ligada ao Broad Institute, centro de pesquisa associado ao MIT e a Harvard que desenvolve uma terapia experimental contra doenças priônicas.

O programa, chamado PRiSM, iniciou neste ano testes em seres humanos. A estratégia utiliza uma molécula de RNA, conhecida como siRNA, para reduzir a produção da proteína priônica normal no organismo. A tentativa é diminuir a disponibilidade da proteína que, ao assumir uma conformação anormal, alimenta o processo responsável pela degeneração cerebral.

O ensaio está em estágio inicial e prevê um grupo pequeno de pacientes sintomáticos. Nesta fase, os pesquisadores buscam principalmente determinar a segurança da terapia, sua tolerabilidade e as doses adequadas. Ainda não há comprovação de que o tratamento consiga interromper ou retardar a progressão da DCJ.

A dificuldade para a família não é apenas chegar aos pesquisadores. Estudos experimentais estabelecem critérios específicos para selecionar participantes, e o diagnóstico da doença não garante uma vaga. O quadro clínico, o estágio de progressão e outros parâmetros precisam ser analisados pela equipe responsável pelo ensaio.

É justamente nessa interlocução que o Ministério da Saúde tenta auxiliar. Além da busca da família por acesso à pesquisa ligada a Harvard, a pasta procura ampliar os contatos com instituições que estudam a doença.

Lito Sousa - Foto: Reprodução
Esta foi a primeira aparição pública de Lito desde que sua esposa, Mila Seidl, revelou o diagnóstico na sexta-feira – Foto: Reprodução/Redes Sociais

Outras alternativas

A busca por outros centros pode abrir diferentes possibilidades porque há mais de uma linha experimental contra doenças priônicas atualmente em desenvolvimento.

Uma das principais é o ION717, terapia experimental desenvolvida pela Ionis Pharmaceuticals. O medicamento utiliza oligonucleotídeos antisenso para reduzir a produção da proteína priônica pelo organismo.

Apesar de utilizar uma tecnologia diferente, a lógica se aproxima daquela explorada pelos pesquisadores ligados a Harvard: reduzir a quantidade de proteína disponível para alimentar o processo que provoca a doença.

O ION717 está em um estudo clínico de fase 1/2a, destinado a avaliar segurança, tolerabilidade e seus efeitos biológicos nos participantes. Ainda não existe demonstração de eficácia clínica capaz de transformar a terapia em tratamento disponível.

Outra frente envolve o efavirenz, medicamento conhecido pelo uso contra o HIV e que também passou a ser estudado experimentalmente contra a doença de Creutzfeldt-Jakob. A pesquisa tenta verificar se resultados observados em modelos experimentais podem produzir benefício em pacientes.

Nenhuma dessas alternativas representa hoje um tratamento comprovado contra a DCJ. Elas mostram, porém, que existem diferentes grupos tentando atacar a doença por caminhos distintos — e ajudam a explicar a tentativa do Ministério da Saúde de não limitar a busca a um único centro.

Corrida por acesso aos estudos

A família de Lito vem procurando instituições nos Estados Unidos e na Europa desde que tornou público o diagnóstico. Além da frente ligada a Harvard, houve pedidos de ajuda para chegar à Mayo Clinic e a outros pesquisadores especializados em doenças priônicas.

Mila relatou que exames e relatórios médicos estão sendo encaminhados para que diferentes equipes possam avaliar o quadro do marido e verificar a possibilidade de ingresso em algum estudo.

O que é a Creutzfeldt-Jakob

A doença de Creutzfeldt-Jakob é uma enfermidade neurodegenerativa rara e de rápida progressão. Ela pode provocar alterações motoras, dificuldades de coordenação, problemas visuais e comprometimento cognitivo conforme avança.

Não existe atualmente tratamento aprovado capaz de interromper a doença. Por isso, o acesso aos estudos experimentais se tornou o principal objetivo da mobilização da família.

É nesse cenário que Padilha entrou diretamente nas tratativas. Além de manter contato pessoal com os familiares, o Ministério da Saúde busca centros que possam ajudar a avaliar alternativas para Lito.

“A gente vai poder ajudar da melhor forma possível”, afirmou a fonte do ministério.

A articulação ainda está em andamento e não há garantia de ingresso em qualquer estudo.

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