Réu por feminicídio e ligado a filme de Bolsonaro é solto pela Justiça de SP

Empresário é investigado por morte de esposa e fraude em contrato de R$ 108 mi responderá em liberdade
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A Justiça de São Paulo revogou a prisão de Alex Leandro Bispo dos Santos, réu por feminicídio e apontado pelo Ministério Público estadual como integrante do Primeiro Comando da Capital (PCC), ele teria o apelido de “Escorpião do PCC” ou “Baianão”. Preso desde o fim do ano passado após agredir a esposa, Maria Katiane Gomes da Silva, que foi encontrada morta após cair do 10º andar do prédio do casal, o empresário responderá ao processo em liberdade por decisão da 5ª Vara do Tribunal do Júri.

Ao revogar a prisão, o juiz determinou que Alex Bispo não pode se ausentar da cidade por mais de oito dias, não mude de endereço, compareça em juízo bimestralmente e mantenha o telefone atualizado. Ele também está proibido de se aproximar das testemunhas do crime.

O empresário é peça-chave na engrenagem que conecta o crime organizado, o uso de verbas da Prefeitura de São Paulo e o financiamento da produção cinematográfica “Dark Horse”, obra que retrata a vida do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Alex Bispo era dono da Favela Conectada Serviços e Tecnologia Ltda., empresa terceirizada contratada pelo Instituto Conhecer Brasil (ICB) para gerenciar pontos de internet na capital. A ONG pertence à empresária Karina da Gama, que é também a proprietária da produtora Go UP, responsável oficial pelo filme do ex-mandatário.

A ligação entre a estrutura de conectividade periférica e o projeto audiovisual sobre o ex-presidente é o foco principal das investigações policiais. A gestão do prefeito Ricardo Nunes (MDB) repassou um contrato de R$ 108 milhões ao ano para o ICB de Karina da Gama, que subcontratou a empresa de Alex Bispo por R$ 12 milhões.

Há fortes indícios de que os valores do contrato público com a prefeitura e emendas parlamentares do grupo bolsonarista tenham sido desviados para custear o longa-metragem, cujos gastos são estimados pela defesa da própria produtora em R$ 75 milhões, sem a apresentação de notas fiscais ou comprovantes de origem do montante.

Alex Leandro Bispo dos Santos é réu por feminicídio e apontado pelo MP como integrante do PCC, ele teria o apelido de “Escorpião do PCC” ou “Baianão”(Foto: Reprodução)

Empresa de fachada e repasses mantidos após a prisão

Mesmo após a prisão do empresário pelo assassinato da esposa, a relação contratual e o fluxo de recursos entre a ONG e a produtora do filme não foram interrompidos. A Favela Conectada mudou de nome para Urban Connect e teve seu controle transferido na Junta Comercial para uma moradora do mesmo endereço de Alex. Outros prestadores de serviço acionaram o Judiciário denunciando que a empresa do acusado operava como uma estrutura de fachada para sustentar a maquiagem contábil no repasse de verbas.

Diante do avanço das apurações sobre a ligação do esquema com a política nacional, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Flávio Dino, determinou que a Polícia Civil paulista compartilhe em até cinco dias todos os documentos e mídias apreendidos na “Operação Wi-fi” com a Polícia Federal, que investiga o destino das emendas destinadas às empresas de Karina da Gama.

Questionado sobre a soltura do réu por feminicídio e suspeito de integrar a facção criminosa, o Tribunal de Justiça de São Paulo encaminhou posicionamento oficial sobre a atuação do magistrado no caso.

“Os magistrados têm independência funcional para decidir de acordo com os documentos dos autos e seu livre convencimento. Essa independência é uma garantia do próprio Estado de Direito. Quando há discordância da decisão, cabe às partes a interposição dos recursos previstos na legislação vigente”, declarou a instituição.

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