Romeu Zema, candidato do Novo à presidência da República, sentou na bancada do Jornal Nacional e foi o protagonista de uma cena de sincericídio que simboliza e expressa o problema da maior parte dos homens que disputam cargos públicos quando são questionados sobre violência contra mulher.
Eles não se importam.
No geral, os preparados para debates e sabatinas, ao menos, estudam os números e ensaiam um roteiro politicamente correto. Mas, na extrema direita, nem isso. Zema foi questionado pela jornalista Renata Vasconcellos no JN sobre como iria combater a violência contra as mulheres. Ao responder, ele olha para a câmera e diz: “Eu tenho uma série de programas contra as mulheres”.
A primeira reação é rir. Porque sim, é trágico e cômico ao mesmo tempo. Ato falho? Pode ser. Mas vamos aos dados de Minas Gerais. No ano passado, em 2025, o Brasil registrou 1.470 casos, o maior número de feminicídio já contabilizado no país, segundo dados do Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública (Sinesp), do Ministério da Justiça e Segurança Pública. Minas, com 139 casos, só ficou atrás de São Paulo em números absolutos, com 233.
Mas segundo uma reportagem do Portal Metrópoles, com pesquisadores mineiros, entre janeiro de 2019 e maio de 2026, MG contabilizou um total de 2.725 vítimas de feminicídio, abrangendo tanto casos consumados quanto tentados e a tendência é de alta. Este ano pode ter um novo recorde.
E o Zema? Bom, em março de 2020, no lançamento do MG Mulher, programa de combate à violência doméstica desenvolvido pela Polícia Civil mineira, o agora presidenciável do partido Novo, disse que a opressão contra a mulher é “meio que como um instinto natural do ser humano”. Ele também foi contra o projeto de lei que tipifica a misoginia como crime, aprovado pelo Senado.
Em junho, em um evento da CNI, ele defendeu que só homens beneficiários do Bolsa Família seriam cobrados a concluir estudos e fazer cursos técnicos: “Viso muito os homens. As mulheres têm outras atribuições em casa, têm filhos, têm uma diferença muito grande com relação aos homens”. Ainda emendou que os programas sociais estão criando uma “geração de imprestáveis”.
Então, ao ouvir a declaração dele no JN, não dá nem pra ficar surpreso. Ele realmente se coloca contra as políticas para mulheres. Não foi gafe ou ato falho. Foi um momento em que, sem querer, a verdade saiu.