O conglomerado de moda Azzas 2154 anunciou o fim de sua estrutura unificada e a separação de seus negócios em duas empresas independentes. A decisão ocorre menos de dois anos após a fusão bilionária entre a Arezzo&Co e o Grupo Soma, concretizada em 2024, que havia criado uma das maiores operadoras do varejo de vestuário e calçados do país, com faturamento conjunto estimado em R$ 12 bilhões, mais de 30 marcas no portfólio e cerca de duas mil lojas no território nacional.
A dissolução do grupo foi motivada por um longo período de instabilidade na governança interna, marcado pela renúncia em série de executivos e conselheiros, além de disputas diretas na Justiça entre os fundadores e principais acionistas, Alexandre Birman e Roberto Jatahy. O desgaste político coincidiu com a deterioração dos indicadores financeiros da companhia, que registrou queda de 62,5% no lucro líquido recorrente no segundo trimestre deste ano frente ao mesmo período de 2025, somando R$ 106,5 milhões — resultado que já vinha na esteira de um recuo de 45,7% no primeiro trimestre.
Pelo plano de reorganização, as duas companhias voltarão a ter estruturas próprias de administração e governança, mantendo suas ações listadas de forma independente no Novo Mercado da B3. A única exceção de gestão compartilhada será uma sociedade específica criada para gerir a marca Farm Rio e suas extensões internacionais, na qual a Arezzo&Co deterá 57,4% de participação e a SOMA ficará com os 42,6% restantes.

Crise de governança, dança das cadeiras e disputa na Justiça
Os problemas de integração entre as operações começaram a se explicitar em maio de 2025, apenas nove meses após o fechamento da fusão. A primeira baixa relevante no conselho de administração foi a do empresário Guilherme Benchimol, fundador da XP. Em junho do mesmo ano, uma reestruturação profunda levou às saídas de Pedro Parente e Anna Chaia do conselho, substituídos por Nicola Calicchio Neto e Marcel Sapir. Pouco tempo depois, Rony Meisler, fundador da Reserva, e o próprio Calicchio Neto também deixaram o grupo.
O estopim para o divórcio definitivo ocorreu em maio, quando Roberto Jatahy ingressou com uma ação judicial contra Alexandre Birman para impedir mudanças na estrutura interna promovidas pelo então presidente da Azzas. A Justiça concedeu liminar favorável a Jatahy, garantindo sua autonomia sobre as unidades de vestuário feminino e masculino e impedindo alterações operacionais por parte de Birman. O bate-cabeça público inviabilizou a continuidade da gestão unificada, levando os acionistas a optarem pela cisão total.
Como fica a divisão das marcas por grupo:
Arezzo&Co (sob comando do bloco de Birman)
- Arezzo
- Schutz
- Anacapri
- Vans
- Alexandre Birman
- Carol Bassi
- Hering e extensões
- 57,4% da sociedade que reunirá a FARM Rio
SOMA (sob comando do bloco de Jatahy)
- Animale
- NV
- Maria Filó
- Cris Barros
- Reserva e extensões
- Oficina
- Foxton
- 42,6% da sociedade que reunirá a FARM Rio