Relacionamentos na maturidade: é realmente mais fácil?

A maturidade nos ensina que as fases difíceis passam
ouça este conteúdo
00:00 / 00:00
1x

Outro dia ouvi uma pessoa dizer:

“Na maturidade é muito mais fácil se relacionar.”

Será?

Eu diria que sim e não.

Pode ser mais difícil porque chegamos à maturidade carregando uma história. Já amamos, perdemos, nos decepcionamos, recomeçamos. Alguns trazem experiências de casamentos, separações e relacionamentos que deixaram marcas.

Mas existe uma diferença importante entre ter uma história e continuar preso a ela.

Entrar em um novo relacionamento esperando que o outro cure nossas feridas, preencha nossos vazios ou finalmente nos salve é uma expectativa pesada demais para qualquer parceria.

Seu parceiro ou sua parceira pode acolher, apoiar e caminhar ao seu lado. Mas não deve ocupar o lugar de terapeuta. Amor não substitui autoconhecimento nem o cuidado que algumas questões exigem.

Por outro lado, a maturidade pode tornar um relacionamento muito mais interessante.

Depois de algumas experiências, aprendemos. Descobrimos o que queremos, o que não queremos, quais são nossos limites e o que realmente importa em uma parceria.

Talvez essa seja uma das maiores vantagens de amadurecer: conhecer melhor a si mesmo.

Saber dizer o que gosta, o que incomoda, o que precisa e o que não aceita mais.

Porque o outro não tem como adivinhar aquilo que não conseguimos expressar.

E como as pessoas se conheciam antigamente?

Durante muito tempo, os encontros aconteciam dentro de círculos mais próximos: família, amigos, vizinhança, escola, trabalho, festas e clubes.

Primeiro conhecíamos a pessoa. Depois descobríamos se existia interesse, afinidade e desejo de construir alguma coisa.

Hoje, o processo é quase inverso.

Aplicativos e redes sociais ampliaram enormemente as possibilidades de conhecer alguém. Podemos encontrar pessoas que jamais cruzariam nosso caminho.

Isso trouxe liberdade, mas também criou um paradoxo: temos mais possibilidades de escolha e, talvez por isso mesmo, mais dificuldade para escolher.

Passamos a avaliar pessoas por fotografias, perfis, profissões, interesses e algumas poucas informações antes mesmo de uma conversa acontecer.

Mas relacionamento não se constrói a partir de um perfil.

É preciso tempo para conhecer alguém além da imagem que essa pessoa apresenta.

A maturidade também nos ensina que as fases difíceis passam

Quem já viveu diferentes etapas da vida sabe disso.

Quem teve filhos, por exemplo, provavelmente já passou por momentos de extremo cansaço pensando: “Eu não aguento mais.”

E passou.

Hoje, talvez aqueles mesmos momentos difíceis façam parte das memórias afetivas mais importantes da vida.

Isso também pode acontecer nos relacionamentos.

Existem períodos difíceis, conflitos, diferenças e momentos de exaustão. A maturidade pode nos ajudar a compreender que nem toda dificuldade significa que a relação está errada.

Conflitos fazem parte de qualquer relacionamento. O que importa é como lidamos com eles.

Uma conversa difícil pode aproximar.

Uma briga que ultrapassa limites, humilha e machuca pode afastar.

Maturidade emocional não significa não ter conflitos. Significa aprender a atravessá-los sem destruir o vínculo.

Então, é mais fácil se relacionar na maturidade?

Eu diria que sim, quando estamos diante de duas pessoas que fizeram um caminho de autoconhecimento e estão emocionalmente disponíveis para construir uma parceria.

Não porque a maturidade elimine os problemas, mas porque pode nos ensinar a lidar melhor com eles.

Talvez, nessa fase da vida, não estejamos mais procurando alguém para completar aquilo que nos falta.

Estamos procurando alguém com quem compartilhar aquilo que já construímos.

E talvez essa seja uma das maiores belezas do amor na maturidade:

não encontrar alguém para completar a nossa história, mas alguém com quem tenhamos vontade de continuar escrevendo novos capítulos.

Grande abraço,

 

Carregar Comentários
Assine nossa newsletter
Receba nossos informativos diretamente em seu e-mail