Por Gabriel Gomes
Nove dias após uma condenação do Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP) por conduta semelhante, o governador e candidato à reeleição Tarcísio de Freitas (Republicanos) voltou a participar de um evento com caráter político dentro de uma igreja. O episódio levou a Associação Movimento Brasil Laico a apresentar, nesta terça-feira (8), uma nova representação à Procuradoria Regional Eleitoral em São Paulo.
Além de Tarcísio, a entidade pede a investigação do candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL), dos candidatos ao Senado Guilherme Derrite (PP) e André do Prado (PL), da Igreja Mundial do Poder de Deus e do pastor Valdemiro Santiago. O ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha, que teve a candidatura indeferida pela Justiça Eleitoral, também estava presente no evento.

O ato ocorreu na segunda-feira (7), feriado da Independência, na sede da Igreja Mundial do Poder de Deus, no Brás, em São Paulo. Tarcísio deixou de comparecer ao Desfile Cívico-Militar realizado no Anhembi e participou do evento religioso ao lado dos demais candidatos.
Segundo a representação, os políticos subiram ao púlpito diante de centenas de jovens obreiros. Valdemiro Santiago elogiou Flávio e abordou temas de segurança pública e do Legislativo. O candidato à Presidência, por sua vez, conduziu uma oração na qual pediu a “espada da justiça” na Praça dos Três Poderes.
Tarcísio também discursou, evocando passagens bíblicas relacionadas à vitória, e posteriormente concedeu entrevista coletiva dentro das dependências do templo sobre o cenário político nacional. A associação sustenta ainda que imagens do evento foram produzidas pelas assessorias dos candidatos e distribuídas à imprensa como material de divulgação das campanhas.

Para o Movimento Brasil Laico, o agravante é a reincidência. Nove dias antes do evento, o TRE-SP havia julgado procedente uma representação contra Tarcísio por uma conduta semelhante, ocorrida em 17 de agosto em outra denominação religiosa.
“Não se questiona o direito à fé ou à liberdade religiosa de quem quer que seja, mas o uso ostensivo de um templo — bem de uso comum pela lei eleitoral — como palanque de campanha”, afirmou Leandro Patricio da Silva, presidente da associação.

A entidade pede que o Ministério Público Eleitoral investigue possíveis práticas de propaganda eleitoral irregular, abuso de poder político e econômico, arrecadação ilícita e conduta vedada a agente público. Entre as medidas solicitadas estão multas, cassação de registros ou diplomas e eventual declaração de inelegibilidade por oito anos.
A representação também solicita o compartilhamento de informações com a Receita Federal e a Secretaria Municipal da Fazenda para apurar eventual desvio de finalidade relacionado à imunidade tributária da igreja.