Petróleo sobe e fica perto dos US$ 100 após onda de ataques dos houthis contra Arábia Saudita

Barril Brent chega a US$ 99,45 e pode voltar aos três dígitos após mais de três meses
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Por Fernando Narazaki

(Folhapress)  – O preço do petróleo ficou próximo de voltar aos três dígitos nesta terça-feira (8) e atingiu o seu maior valor em mais de três meses como consequência dos ataques dos houthis, grupo do Iêmen aliado ao Irã, a quatro cidades no sul da Arábia Saudita, o que aumentou a tensão no Oriente Médio.

O barril Brent, referência mundial, alcançou US$ 99,45 (R$ 508,89), valorização de 2,53%, por volta das 5h30 (horário de Brasília) desta terça, igualando assim a máxima de 27 de maio. A última vez que a cotação do petróleo superou os US$ 100 foi em 26 de maio, quando foi negociado a US$ 100,73.

Após atingir o ápice, o preço caiu e o barril era vendido a US$ 98,15 (R$ 502,24), alta de 1,19%, por volta das 11h. Já o petróleo WTI (West Texas Intermediate), usado nos EUA, era negociado a US$ 93,30 (R$ 477,43), 1,99% a mais do que o fechamento na segunda-feira (7).

Ofensivas do grupo Houithis, do Iêmen, feriu mais de 70 pessoas em cidades no sul da Arábia Saudita (Foto: Reprodução / Julho 2026)

A subida do petróleo foi resultado da preocupação dos negociadores com os novos ataques registrados a instalações de energia e cidades na Arábia Saudita, aliada dos EUA. As ofensivas foram feitas pelos houthis e deixaram pelo menos 73 pessoas feridas, de acordo com um porta-voz da coalizão liderada pela Arábia Saudita no Iêmen.

O Ministério da Energia saudita afirmou que os ataques desta terça levaram à “suspensão temporária de algumas operações” e comunicou que equipes especializadas trabalhavam para controlar os incêndios em vários locais e avaliar os danos.

Os ataques ocorreram depois que o Irã alertou que a infraestrutura energética em todo o golfo Pérsico, incluindo os interesses dos EUA no setor de petróleo e gás, estava vulnerável na sequência de uma troca de ataques em retaliação contra navios na região no último fim de semana. Os ataques fizeram com que os preços do petróleo subissem para os níveis mais altos em mais de seis semanas.

“A coalizão tomará todas as medidas operacionais necessárias para deter essa milícia terrorista e enfrentará com determinação sua postura hostil”, afirmou o coronel Turki al-Malki em comunicado divulgado no X (antigo Twitter).

Os houthis, que controlam as regiões mais populosas do Iêmen e grande parte do norte do país, vêm lançando ataques contra a Arábia Saudita desde que declararam um bloqueio naval contra Riad em julho, com ataques direcionados a navios sauditas no Mar Vermelho.

As interrupções na navegação pelo Mar Vermelho aumentaram as preocupações com o abastecimento global de petróleo e gás, já que o Irã continua a restringir a navegação pelo estreito de Hormuz, por onde passava 20% da produção mundial de petróleo e gás, com o tráfego de navios de commodities diminuindo novamente nesta semana.

O conflito no Irã, que já dura seis meses, tem sido marcado por um ciclo de pausas seguidas por recrudescimentos periódicos desde que os EUA e Israel lançaram ataques em 28 de fevereiro com o objetivo de pôr fim ao programa nuclear de Teerã, impedir sua capacidade de atacar vizinhos e restringir seu apoio a grupos aliados na região.

O regime iraniano prometeu anunciar uma nova zona restrita no golfo Pérsico nos próximos dias, juntamente com mapas de um novo corredor de navegação pelo estreito de Hormuz, embora não estivesse claro quando os detalhes seriam divulgados.

“Nos últimos dias, Washington recebeu um aviso claro dos novos mísseis do Irã. A guerra econômica será respondida com uma zona de exclusão marítima que se estenderá pelo Golfo Pérsico até o perímetro do bloqueio”, afirmou Mohsen Rezaei, secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã, à televisão estatal no domingo, acrescentando que qualquer navio que entrasse na área seria incluído em uma lista de sanções iranianas.

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