Extrema direita é coisa de alemão, aqui vira singela ´oposição´

A mesma imprensa hegemônica que faz cara de espanto com os extremistas na Alemanha, trata a turma semelhante no Brasil como românticos opositores a Lula
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Vejo a cara de espanto de jornalistas brasileiros, quase com a sensação de “O grito” de Edvard Munch, ao noticiarem o triunfo eleitoral do partido de extrema direita Alternativa para a Alemanha, o AfD.

Em Berlim, Paris, Nova York ou nos estúdios das emissoras no Rio e em São Paulo, o assombro — digno do quadro do pintor norueguês — é o mesmo. A turma que flerta com ideias neonazis venceu no estado da Saxônia-Anhalt, no leste do país, após votação do dia 6.

Uma vinheta, um intervalo comercial, e o assunto muda para as eleições brasileiras.

Vemos uma imagem gigante de Donald Trump na avenida Paulista, cartazes pedindo intervenção no Brasil, exaltação às prisões de Bukele, um boneco inflável do ministro André Mendonça (STF) e o discurso de um candidato a presidente do PL que recebeu dinheiro de Daniel Vorcaro pregando a queda de um ministro do Supremo que também teria sido íntimo do mesmo banqueiro do Master.

Cai a máscara de Munch das faces dos jornalistas brasileiros. Eles até sorriem. Como se fosse um alívio cômico. Falam do empate técnico de Lula e Flávio Bolsonaro em eventual segundo turno, decifram as pesquisas, tudo na maior normalidade. Mesmo com os discursos e os cartazes da Paulista sendo mais extremistas do que as manifestações dos líderes da AfD, tudo passa a ser tratado pelo nome de “oposição” brasileira.

A singela “oposição” à esquerda lulista. Pronunciam oposição quase com acento romântico. Ah, o ajuste fiscal dessa turminha vai ser lindo. Tudo muito ameno, poético, léguas e léguas de qualquer pânico. Adeus, Munch.

Sequer somos lembrados da semelhança do palanque da Paulista com a extrema direita internacional, mesmo com a figura gigante do Trump combinando com a fachada da Fiesp. O perigo é só para os alemães, não para nós aqui nos “tristes trópicos”.

Assim como o inferno de Sartre, a extrema direita são os fascistas dos outros, não os nossos.

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