‘Adoeceu uma família inteira’: vítima relata transmissão intencional de HIV por dentista

Jean José Dunga foi condenado a cinco anos de prisão e R$ 50 mil de indenização; MP afirma que ao menos quatro mulheres foram infectadas
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Maria*, nome fictício usado para preservar sua identidade, mantinha uma rotina ativa de exercícios quando começou a sofrer com febres, dores, infecções persistentes e cansaço. Após realizar exames, descobriu que havia contraído HIV e, posteriormente, que teria sido infectada intencionalmente pelo então namorado, o dentista Jean José Dunga, de 41 anos.

“Com certeza posso afirmar que foi o momento mais triste e mais difícil da minha vida”, relata. O caso foi revelado pelo site G1.

Jean foi condenado em agosto a cinco anos de prisão e ao pagamento de R$ 50 mil de indenização à vítima. Nesta quarta-feira (9), a Justiça determinou uma nova prisão preventiva após pedido do Ministério Público de Rondônia (MP-RO), que apontou risco de novas vítimas. Ele ainda responde a outros processos.

Segundo o MP-RO, o dentista é acusado de transmitir HIV intencionalmente a pelo menos quatro mulheres. A denúncia afirma que ele sabia do diagnóstico havia cerca de dez anos e teria optado por não aderir ao tratamento antirretroviral. O tratamento correto pode tornar a carga viral indetectável e impedir a transmissão sexual do HIV.

Maria conheceu Jean em um site de relacionamentos. Durante o namoro, com o agravamento dos sintomas, decidiu investigar possíveis infecções sexualmente transmissíveis e recebeu o diagnóstico positivo. Ao procurar atendimento médico, descobriu que Jean já era investigado e que outras mulheres relatavam situações semelhantes.

“Eu era mais uma vítima do Jean”, afirma. “Quando fui infectada pelo Jean, ele não adoeceu somente a mim, ele adoeceu uma família inteira.”

A vítima procurou o Núcleo de Atendimento às Vítimas (Navit), do MP-RO, em 28 de maio. Jean foi preso em 10 de junho. Em 24 de agosto, acabou condenado a cinco anos em regime semiaberto pelo caso de Maria.

O MP-RO afirma que mais de quatro mulheres foram acolhidas pelo Navit. Jean foi denunciado por lesão corporal gravíssima e perigo de contágio de doença grave e, em relação a duas mulheres, também por estupro.

Após a condenação, o Ministério Público pediu uma nova prisão preventiva, alegando que havia risco de novas contaminações. A Justiça aceitou o pedido nesta quarta-feira e Jean voltou a ser preso.

Antes da sentença, a defesa afirmou que Jean fazia tratamento antirretroviral e acreditava não haver risco de transmissão sexual do HIV.

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