Os cantores Finneas, Aaron Rowe e Lukas Graham e a banda Beoga anunciaram nesta terça-feira (15) que não vão mais abrir os shows de Ed Sheeran. A decisão ocorreu um dia após o anúncio da retirada de Macklemore da turnê, após o rapper fazer um discurso de apoio à Palestina.
Com as quatro novas desistências, Sheeran perdeu todos os artistas que estavam escalados para abrir seus shows. A turnê tem apresentações previstas até 11 de dezembro.
Finneas faria a abertura dos shows de Sheeran em São Paulo, nos dias 5 e 6 de dezembro. A banda Beoga, além de participar da abertura, também acompanharia o cantor britânico em trechos das apresentações influenciados pela música irlandesa.
Ao anunciar a saída da turnê, os artistas também manifestaram apoio ao povo palestino. Finneas escreveu nas redes sociais que “artistas não devem ser silenciados por se manifestar contra a opressão”.
Lukas Graham afirmou que os artistas deveriam poder falar sobre guerras e sobre civis mortos, enquanto Aaron Rowe declarou que, como irlandeses, conhece “até demais genocídio, fome forçada e ocupação violenta”.
A Beoga afirmou que seus integrantes entendem o colonialismo e, como membros fundadores do movimento Artistas Irlandeses pela Palestina, continuarão atuando em defesa da causa.
Sheeran ainda não comentou a saída dos artistas da turnê.
Expulsão de Macklemore e defesa de Sheeran
Macklemore foi retirado da turnê nesta segunda-feira (14), após pressão de locais onde estavam previstas apresentações de Sheeran nos Estados Unidos.
Segundo o jornal “The Guardian”, durante um discurso entre músicas em 4 de setembro, o rapper disse “Free Palestine” (Palestina Livre) no palco e afirmou que queria que as pessoas em Gaza e na Cisjordânia soubessem que não haviam sido esquecidas. A declaração levou o Conselho Israelense-Americano (Israeli American Council) a lançar uma petição pela retirada do artista da turnê.
Macklemore comentou a decisão em uma publicação nas redes sociais. “Antes de começar, quero dizer algo que deveria ser óbvio. Neste momento, acho que isso importa. Eu não sou uma vítima”, escreveu. “As vítimas são o povo palestino.”

Sheeran afirmou que a decisão foi tomada pela promotora da turnê, a Messina Touring Group. O cantor também disse ter opiniões pessoais sobre o conflito, mas que prefere não se manifestar publicamente.
Em junho, um comitê de investigação contratado pela Organização das Nações Unidas (ONU) apontou que Israel alvejou crianças deliberadamente na Faixa de Gaza. Segundo a comissão, as práticas realizadas em Gaza configuram genocídio, crimes contra a humanidade e crimes de guerra.
O relatório afirmou ainda que cerca de 30% dos 73 mil mortos na guerra em Gaza eram crianças, o equivalente a pouco mais de 20 mil pessoas.