Vorcaro e as ‘novinhas’ oferecidas como brindes para poderosos da república

Nos horrores que envolvem as maiores autoridades do país, mulheres eram tratadas como vinhos e uísque de safra especial
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Festa acontecendo no Beach Club da Família Vorcaro
Festa acontecendo no Beach Club da Família Vorcaro

“As meninas estão prontas”. “A minha amiga lá daquele dia deu certo, ne? Ela disse que ficou com o Kássio”. “Você pode mandar o pagamento?” Esses diálogos, entre Daniel Vorcaro e uma suposta agenciadora de garotas de programa, estão entre as milhares de mensagens do ex-banqueiro que foram vazadas nos últimos dias. O Kássio em questão seria o Ministro do Supremo Tribunal Federal, Kássio Nunes Marques. E a profissional do sexo seria mais uma das mulheres oferecidas por Vorcaro como “mimo” para alguns dos homens mais influentes da República. Além de funcionário público muito bem pago com os nossos impostos para nos representar na mais alta corte do país, nunca podemos esquecer.

Ao receber a mensagem acima, Vorcaro respondeu com um endereço. É ali que as meninas, como se fossem itens de um frigobar, deveriam ser “entregues”. Simples, machista e vergonhoso assim. Mas como o roteirista do Brasil anda inspirado, ainda piora. O apartamento onde Kassio teve o encontro, de acordo com levantamento do ICL Notícias e do site Alma Preta, pertencia a Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro e ex-pastor da Igreja Lagoinha. Parece filme de humor de uma republiqueta das bananas. Mas, infelizmente, é a realidade do Brasil 2026.

No horror de tráfico de influência e corrupção que estamos vendo nas últimas semanas, as mulheres são uma parte importante. Não como autoras do crime, mas como objetos de luxo oferecidos junto com os uísques e vinhos de safra especial

Novinhas suíças

Há uma semana, a revista “Piauí” revelou em reportagem como foi uma grande festa oferecida por Vorcaro para figurões da República na boate Madame Satã, em São Paulo. Ali, o esquema era de 20 homens para 120 mulheres. As moças foram escolhidas a dedo, ao gosto dos fregueses, e seriam: “novinhas”. Haveria também a presença do que eles chamaram de “suíças”. Não é força da imaginação pensar que menores de idade poderiam estar presentes, assim como garotas de programa gringas, o que poderia configurar tráfico de mulheres.

Isso seria um escândalo de qualquer jeito, mas piora quando ficamos sabendo que é possível que muitos figurões da República talvez estivessem presentes.

O ex-ministro Fábio Faria, um dos organizadores da festa, disse em mensagem trocada com Vorcaro: “Davi e Pacheco fechado para terça. Chamei o Toffoli tb.”  Ele se referia aos senadores Davi Alcolumbre e Rodrigo Pacheco e ao ministro Dias Toffoli. Alguns detalhes tornam tudo mais sórdido, se é que isso é possível. Em uma das mensagens, Faria fala: “Davi tá louco perguntando se as suíças vão vir. Se der, vamos trazer”. Vorcaro confirma que as “suíças virão, sim.”

É terrível pensar que esse é o tipo de ambiente em que circulam os figurões da República, que esses são os seus valores e que mulheres são usadas por eles como moeda de troca. Mas, além do horror moral, é preciso investigar se essas pessoas não cometeram crimes, como corrupção de menores, estupro de vulnerável e tráfico de mulheres.

Essa semana, a deputada federal Sâmia Bomfim (PSOL-SP) encaminhou um ofício ao presidente do Supremo, Edson Fachin, pedindo a apuração de “eventual exploração de crianças e adolescentes” em eventos privados organizados por Daniel Vorcaro. Certíssima. Resta saber se os poderosos, envolvidos até o talo nas baixarias de Vorcaro, vão se interessar em levar a cabo esse tipo de investigação que pode incriminar alguns deles mesmos e seus colegas.

Aviões para as kengas

As investigações sobre as festas de Vorcaro precisam ser extensas. Carregar centenas de mulheres para “servir aos poderosos” parece ser um “modus operandi” do fundador do Banco Master.

Em mensagens divulgadas em junho, que fazem parte de investigação da polícia federal, Vorcaro diz para um de seus operadores que “precisa de um avião para as kengas”.  A hipótese mais provável é que o ex-banqueiro encheria um avião de mulheres para “entreter” convidados em uma viagem internacional. Entre eles, estariam políticos e outros figurões da República. O nível em que chegamos em 2026 é esse. Mais baixo, nem nos nossos piores pesadelos.

Além de todo o caráter “república das bananas” e possivelmente criminoso desse absurdo que são mulheres transportadas como brindes para poderosos, a gente precisa pensar também no quanto esses homens que aceitam tais “brindes” são machistas e misóginos. E isso, no caso, não é um problema particular deles. Entre os suspeitos de participar de tais festas, estão homens das mais altas cortes do país, senadores e parlamentares. Basicamente, homens que fazem e votam leis que podem ou não proteger mulheres. Não é possível que a nossa dignidade esteja nas mãos de homens que se entretêm com “novinhas suíças” e que trocam favores políticos com homens que “enchem aviões de kengas”. Fica muito difícil ter esperança. Só nos resta repetir: nas próximas eleições, votem em mulheres.

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