Polícia vai a Sorocaba atrás de Milton Leite, que não se entrega após período de 24 horas

Decisão cita Transwolff como peça central da investigação e Milton como dono da companhia
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Por André Fleury Moraes

(Folhapress) – O ex-vereador e ex-presidente da Câmara Municipal paulistana Milton Leite (União Brasil) continua foragido da Justiça mais de 24 horas após a deflagração da operação que o prenderia. Ele é suspeito de integrar um esquema que liga operadoras do transporte coletivo paulistano ao PCC (Primeiro Comando da capital).

A expectativa de que ele poderia se apresentar às autoridades partiu do próprio ex-vereador. Em conversa com a Folha por telefone, Milton disse na manhã de quinta que estava fora de São Paulo e que se entregaria em 24 horas. “Estou me organizando com meus advogados”, afirmou. Ele nega irregularidades.

Na manhã desta sexta, a Polícia Civil se dirigiu a um endereço ligado a Milton Leite em Sorocaba, no interior de São Paulo. Soube que o ex-vereador havia passado pelo local na quarta, um dia antes das diligências, mas já não estava no imóvel nesta sexta.

A operação foi realizada pelo Ministério Público e pela Polícia Civil. Ao todo, 16 pessoas foram alvo de prisão temporária em decisão que autorizou buscas em 18 endereços em São Paulo, Santana de Parnaíba, São Bernardo do Campo, Diadema, Santos, Praia Grande e Cubatão.

A decisão que deu aval às diligências aponta Leite como “o dono de fato” da Transwolff. A empresa é acusada de lavar dinheiro para o PCC e nega quaisquer relações com a facção criminosa. O ex-vereador, de acordo com as investigações, seria responsável direto pela operação da empresa.

Afonso Braga/Câmara Municipal de São Paulo
Milton Leite. (Foto: Afonso Braga/Câmara Municipal de São Paulo)

O mandado contra ele se baseia principalmente em menções feitas por terceiros. Uma é uma conversa de julho de 2024 do empresário José Daniel Satilite, da Translider, com um advogado. A outra é uma mensagem de um sargento da PM que chamou Leite de “chefe”.

Milton nega quaisquer participação na empresa. A Transwolff, também.

A assessoria de imprensa da viação disse na quinta que o ex-vereador “nunca teve qualquer participação societária na Transwolff, nunca participou da gestão ou ‘deu ordens’ na empresa”. Ainda segundo ela, “tal afirmação está completamente equivocada e dissociada da realidade”.

Não aparecem nas representações da polícia e da Promotoria pagamentos ou vínculos societários entre ele e as empresas investigadas.

Entre os presos está Levi dos Santos Oliveira, ex-presidente da SPTrans entre 2019 e fevereiro de 2025. A defesa diz que não teve acesso aos autos e que ele não tem antecedentes.

A apuração é desdobramento da operação Decúrio, de agosto de 2024. A Promotoria afirma ter identificado ao menos 12 empresas de transporte coletivo em operação na capital que seriam controladas direta ou indiretamente pelo PCC.

Na quinta, a Prefeitura de São Paulo disse colaborar integralmente com o Ministério Público. Ricardo Nunes (MDB) criou um grupo de trabalho para analisar os elementos da investigação e avaliar uma intervenção na A2 Transporte. A empresa nega envolvimento com a facção.

Leite foi vereador por sete mandatos, de 1997 a 2024, e o presidente mais longevo da Câmara desde a redemocratização. Hoje faz campanha pelos filhos Alexandre Leite, candidato a deputado estadual, e Milton Leite Filho, a federal.

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