Neste sábado (19), a edição 53 da Revista Liberta não poderia falar de outra coisa que não a recente crise do STF. Em meio a elos suspeitos entre ministros e Daniel Vorcaro — fundador do Banco Master —, trocas de acusações entre colegas de Corte e uma batalha de liminares para tentar derrubar uns aos outros, os ministros Alexandre de Moraes e André Mendonça subiram no ringue para descobrir quem será o vencedor. O problema é que, ao que parece, vai todo mundo perder, a começar pela Justiça.
A coluna de Luis Costa Pinto recorre a uma metáfora para ilustrar a crise que toma conta do Supremo: de armas empunhadas, cada um aponta uma pistola para o outro. O primeiro que se desarmar é atingido, mas o primeiro que atirar também. O problema agora é encontrar uma saída para o impasse. Já João Cezar de Castro Rocha vê nas ações de André Mendonça mais uma tentativa de desmoralizar o Judiciário e, com isso, mandar água abaixo todas as ações da Corte em defesa da frágil democracia brasileira nos últimos anos.
Para Luciana Bauer, o que chama atenção é um dos episódios ocorridos na sessão do STF da última terça (15), em que a Corte tentou decidir como lidaria com as implicações da crise para Moraes e Mendonça. Em meio a bate-bocas e trocas de acusações, a ministra Cármen Lúcia decidiu pedir desculpas por não ter agido antes para frear a crise. O problema, para Luciana, é que ações dizem mais do que palavras.
Amelinha Teles, presente!
A coluna de Gabriela Varella relembra Maria Amélia de Almeida Teles, a Amelinha Teles, falecida no último dia 15. Presa e torturada durante a ditadura militar, ela transformou a própria trajetória em uma luta pela memória, pela democracia e pelos direitos das mulheres.
Décadas depois, Amelinha enfrentou nos tribunais Carlos Alberto Brilhante Ustra, reconhecido pela Justiça como torturador em 2008. Também participou do Lobby do Batom e de movimentos por mortos e desaparecidos políticos, deixando como legado a defesa de uma democracia que não apague nem relativize a violência de Estado.
Quem está contando as histórias?
Partindo do crescimento das feiras e dos eventos literários no Brasil, a coluna de Eliane Alves Cruz discute como a inteligência artificial vem ganhando espaço no mercado editorial. E, no meio disso, surge uma questão: quem está contando as histórias?
O risco é que a IA acabe reproduzindo velhos estereótipos e perpetuando desigualdades já presentes no mercado. O crescimento dos eventos literários é bom? Sim, ótimo. Mas, para Eliane, também é preciso refletir sobre a formação real de leitores e sobre os desafios do nosso tempo.
A edição 53 da Revista Liberta conta também com as colunas de Juca Kfouri, Jamil Chade, Leonardo Boff, Adilson Paes de Souza, Paulo César Teixeira e Reserva Exclusiva. A charge fica por conta de Brum, que também assina a arte de capa. Parte do conteúdo também está disponível para não assinantes.