As empresas de apostas destinaram cerca de R$ 1,03 bilhão em patrocínios aos clubes que disputaram a Série A do Campeonato Brasileiro em 2025. Apesar do valor bilionário, o montante correspondeu a 7,2% dos R$ 14,3 bilhões arrecadados pelas equipes ao longo do ano.
Os números fazem parte de levantamento da consultoria Convocados e ajudam a dimensionar o peso das bets nas finanças dos principais clubes brasileiros em meio às discussões sobre possíveis restrições ao setor.
Em comparação com 2024, quando as empresas de apostas desembolsaram aproximadamente R$ 618 milhões, os patrocínios cresceram cerca de 66% em apenas um ano.

Flamengo tem maior proporção entre clubes
O impacto das bets, porém, varia significativamente de uma equipe para outra. Entre os clubes com valores de patrocínio divulgados, o Flamengo apresentou a maior proporção em 2025. O acordo com a Betano, estimado em R$ 268 milhões anuais, correspondeu a 13,6% da receita total de R$ 1,97 bilhão registrada pelo clube.
O Vasco aparece na sequência. Os R$ 70 milhões do contrato com a Betfair representaram 12,3% dos R$ 570 milhões arrecadados pelo clube no ano.
No Sport, o acordo de R$ 22 milhões com a Betnacional correspondeu a aproximadamente 12% da receita anual de R$ 183 milhões.
Juventude (11%), Corinthians (10,5%), Grêmio (9,8%), Internacional (9,3%) e Atlético-MG (9%) aparecem em seguida no levantamento.
No outro extremo, as menores proporções foram registradas por Botafogo (4%), Fluminense (5,1%), São Paulo (5,2%) e Cruzeiro (5,9%).
Bahia, Mirassol e Red Bull Bragantino não divulgaram os valores de seus patrocínios de empresas de apostas em 2025.
Bets impulsionaram receitas comerciais
O avanço das casas de apostas também contribuiu para o crescimento das receitas comerciais dos clubes. Essa fonte de recursos alcançou R$ 3,07 bilhões em 2025, alta de 35,6% sobre os R$ 2,26 bilhões registrados no ano anterior.
Mesmo assim, as receitas comerciais ficaram em terceiro lugar entre as principais fontes de dinheiro dos clubes. As transferências de jogadores movimentaram R$ 3,92 bilhões, enquanto os direitos de transmissão renderam R$ 3,14 bilhões.
A arrecadação total dos clubes da Série A chegou ao recorde de R$ 14,3 bilhões em 2025, contra R$ 10,7 bilhões no ano anterior. Além das vendas de atletas, o resultado foi favorecido pela participação de Botafogo, Flamengo, Fluminense e Palmeiras na Copa do Mundo de Clubes, que distribuiu R$ 836 milhões às quatro equipes brasileiras.
Clubes falam em risco para o futebol
Os números ganharam relevância após clubes e federações reagirem às discussões sobre novas restrições ao mercado de apostas.
Na última quinta-feira (17), equipes brasileiras divulgaram um manifesto intitulado “O fim do futebol brasileiro”. O documento afirma que mudanças abruptas nas regras poderiam reduzir investimentos, comprometer contratos e provocar problemas financeiros para as agremiações.
No texto, os clubes reconhecem os impactos sociais relacionados às apostas, mas defendem que o poder público priorize fiscalização, educação, prevenção e combate às plataformas clandestinas em vez de inviabilizar o mercado regulamentado.
O levantamento da Convocados mostra, no entanto, que o peso direto dos patrocínios das bets representou pouco mais de 7% da receita conjunta da elite em 2025. Esse percentual não significa que uma eventual restrição teria o mesmo impacto para todas as equipes, já que a participação varia entre os clubes e não contempla necessariamente todos os efeitos indiretos do setor sobre publicidade e outras receitas.
Há ainda diferenças importantes na situação financeira de cada equipe. Embora os clubes da Série A tenham alcançado receita recorde em 2025, suas dívidas somadas chegaram a R$ 17,3 bilhões, valor superior à arrecadação registrada no mesmo período.