O cirurgião vascular Harold Benjamin Aranibar, de 43 anos, foi baleado durante um assalto na região do Maracanã, na zona norte do Rio de Janeiro. O crime aconteceu na última quarta-feira (16), quando o médico voltava de um plantão no Hospital Cardoso Fontes, em Jacarepaguá, na zona oeste. Esta foi a segunda vez que ele foi vítima de um roubo em apenas quatro meses.
Harold estava em um Jeep Compass blindado quando foi abordado pelos criminosos, por volta das 18h, na Avenida Professor Manoel de Abreu. Segundo o relato do médico nas redes sociais, ele conta que um motociclista esbarrou no retrovisor do carro, deslocando-o para a frente, e pediu desculpas. “Quando abri o vidro para poder arrumar, veio um outro cara para me assaltar.”
“Pediram o celular, pediram a aliança e a carteira dele. Ele ficou nervoso e o celular caiu no chão. Ele foi abaixar e acabou tomando um tiro”, conta a dermatologista Natália Aranibar, esposa da vítima.
“Me vi naquela mesma cena de terror de poucos meses atrás, desprotegido em um carro blindado. Aí, fiquei nervoso, a aliança caiu no chão, o cara nervoso, dizendo que ia me matar. Culminou com um tiro no meu braço. Agora, imagina: eu dependo do meu braço, cirurgião vascular. Já passei pela primeira cirurgia, graças a Deus foi bem-sucedida, e tô aqui em reabilitação”, disse o médico.
O médico foi atingido por um disparo no braço esquerdo. A bala atravessou o membro e provocou uma fratura no ombro, ficando alojada no banco do motorista.
Mesmo ferido, Harold conseguiu dirigir sozinho por cerca de 25 minutos até um hospital particular na zona sul do Rio. Segundo sua esposa, ninguém prestou socorro no local do assalto.
“Ele ficou lá sozinho, ninguém foi ajudar, ninguém fez nada. Ele fechou o vidro do carro e dirigiu até um hospital que ele conhecia todo mundo, que ele sabia que se tivesse algum problema eles iriam saber resolver”, disse.
Ele passou por uma cirurgia para estabilizar a fratura na madrugada de quinta-feira (17) e deverá ser submetido a um novo procedimento para colocação de placa e parafusos no sábado (26) e em seguida, iniciar as sessões de reabilitação.
Apesar do ferimento, os movimentos da mão e do braço foram preservados. O médico deve permanecer afastado do trabalho durante o período de recuperação.
“Graças a Deus minha mão está com a funcionalidade preservada. Dos mais trágicos cenários, esse aqui foi o menor. E eu vou me recuperar”, desabafou Harold em vídeo.
Médico já havia sido assaltado há quatro meses
O médico havia sido vítima de outro assalto cerca de quatro meses antes, nas imediações da Rodoviária do Rio. Na ocasião, os criminosos roubaram o celular, a carteira e a aliança.
Após o primeiro episódio, Harold passou a dirigir um carro blindado. Mesmo assim, voltou a ser alvo de criminosos e acabou baleado durante a nova abordagem. Depois dos dois assaltos, ele e a esposa avaliam deixar o Rio de Janeiro com as duas filhas, de 5 e 7 anos.
A investigação está sob responsabilidade da 12ª DP (Copacabana). Agentes procuram imagens de câmeras de segurança e realizam diligências para tentar identificar os autores. Até o momento, ninguém foi preso.