Tarifaço de Trump já pressiona empresas brasileiras e acelera busca por novos mercados

Governo e ApexBrasil ampliam medidas para diversificar exportações enquanto Brasil tenta negociar redução das barreiras com os EUA
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As tarifas impostas pelo governo de Donald Trump sobre produtos brasileiros estão pressionando empresas exportadoras e acelerando a busca por compradores em outros países. O movimento atinge especialmente companhias que construíram parte relevante de suas operações em torno do mercado dos Estados Unidos.

A diversificação passou a ser uma das principais estratégias para reduzir essa dependência. América Latina, Europa, Ásia, África e Oriente Médio estão entre as regiões mapeadas como alternativas para produtos brasileiros atingidos pelas novas barreiras comerciais.

A mudança, porém, não ocorre de uma hora para outra. Entrar em outro país pode exigir adaptação dos produtos, cumprimento de normas técnicas, criação de canais de distribuição e construção de relações com novos compradores, processo particularmente desafiador para pequenas e médias empresas.

ApexBrasil amplia busca por novos compradores

A Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil) criou um plano específico para ajudar empresas brasileiras atingidas pelas novas tarifas dos Estados Unidos a encontrar outros destinos.

A iniciativa prevê R$ 210 milhões para ações de diversificação e deve alcançar 5,3 mil empresas.

Entre as medidas estão inteligência de mercado, consultorias especializadas, aproximação com compradores estrangeiros, participação em feiras internacionais e condições especiais para empresas afetadas pelas tarifas.

A estratégia busca evitar que as companhias fiquem excessivamente dependentes de um único destino para suas exportações.

Países da América Latina, América Central e Caribe, além de mercados da Europa, Ásia, Oriente Médio e Oceania, aparecem entre as possibilidades apontadas pela agência, dependendo do produto e das características de cada empresa.

A diversificação já vinha sendo estimulada antes do agravamento da disputa comercial. Em 2025, mais de 23 mil empresas receberam apoio da ApexBrasil, sendo mais da metade pequenas e médias. Segundo a agência, mais de 72% exportaram pela primeira vez ou chegaram a novos destinos.

China e União Europeia ganham espaço

Os dados do comércio exterior mostram que outros grandes mercados têm ampliado as compras de produtos brasileiros.

Entre janeiro e agosto deste ano, as exportações brasileiras para a China cresceram cerca de 15% e alcançaram US$ 77 bilhões. No mesmo período, as vendas destinadas à União Europeia também avançaram aproximadamente 15%, chegando a cerca de US$ 37 bilhões.

A União Europeia ganhou ainda mais importância após a entrada em vigor do acordo comercial com o Mercosul, em maio deste ano.

O acordo amplia o acesso de produtos dos dois blocos aos respectivos mercados e cria novas possibilidades para a indústria brasileira.

Ainda assim, encontrar destinos alternativos não significa substituir automaticamente os Estados Unidos. As características de cada mercado, o perfil dos compradores, a logística e as exigências regulatórias variam e podem limitar o redirecionamento imediato das mercadorias.

Governo oferece crédito às empresas atingidas

Além da busca por novos compradores, o governo ampliou instrumentos financeiros destinados às empresas afetadas pelas barreiras comerciais.

Uma das principais iniciativas é o Plano Brasil Soberano, criado para oferecer crédito a companhias prejudicadas por tarifas e outras medidas decorrentes da instabilidade no comércio internacional.

A terceira etapa do programa ampliou o grupo de empresas que podem acessar as linhas de financiamento.

Outro instrumento disponível é o Seguro de Crédito à Exportação (SCE), utilizado para proteger operações contra riscos como a inadimplência de compradores estrangeiros.

O governo também mantém o Programa de Financiamento às Exportações (Proex), que oferece mecanismos de financiamento para empresas brasileiras venderem seus produtos no exterior.

As medidas procuram dar fôlego às companhias enquanto elas tentam reorganizar suas operações e encontrar novos compradores.

Brasil e EUA retomam negociação sobre tarifas

Ao mesmo tempo em que tenta reduzir a dependência do mercado americano, o governo brasileiro mantém negociações com Washington para diminuir as barreiras comerciais.

Representantes dos dois países se reuniram nesta quarta-feira (30), em Milwaukee, nos Estados Unidos, durante encontro de ministros do Comércio do G20.

Participaram da reunião os ministros Mauro Vieira, das Relações Exteriores, e Márcio Elias Rosa, do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, além do representante comercial dos Estados Unidos, Jamieson Greer.

Segundo o governo brasileiro, os dois países concordaram em criar um grupo de trabalho para discutir questões relacionadas a um possível acordo comercial.

O governo americano deverá apresentar nas próximas semanas uma proposta com os temas que pretende incluir nas negociações, envolvendo questões tarifárias e não tarifárias.

O encontro, portanto, marcou uma nova etapa das conversas, mas ainda não resultou em acordo para retirar ou reduzir as tarifas que atingem os produtos brasileiros.

Enquanto as negociações continuam, empresas brasileiras tentam diminuir sua exposição aos Estados Unidos e ampliar a presença em outros mercados. A estratégia pode reduzir os riscos provocados pelas barreiras comerciais, mas a substituição de um mercado do tamanho do americano tende a depender de diferentes destinos, e não de um único país.

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