Por Caio Spechoto
(Folhapress) – O presidente Lula (PT), candidato à reeleição, fará seu primeiro ato de campanha de segundo turno na sexta-feira (9), no Distrito Federal. Será uma caminhada em Ceilândia, a maior cidade-satélite de Brasília. Depois, provavelmente no sábado (10), o petista deverá promover outro ato em Natal (RN).
Esses são os primeiros atos públicos de campanha do petista depois do primeiro turno, quando teve menos votos que o principal adversário, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). O presidente teve 45% contra 47% do candidato bolsonarista.
Reorganização de campanha
Lula passou os primeiros dias após o resultado do primeiro turno, disputado no domingo (4), tendo reuniões com aliados para reorganizar sua campanha e reformular seu discurso. Paralelamente, Flávio Bolsonaro recebeu o apoio de partidos e de políticos como o candidato derrotado a presidente Ronaldo Caiado (PSD).
O chefe do governo está agregando à sua equipe de campanha aliados que foram vitoriosos nas eleições estaduais. Também passou a dar mais atenção às redes sociais, meio em que resistiu a entrar nos últimos meses e anos.
As novas peças em vídeo passaram a ter produção mais ágil, com menos edição do que os conteúdos feitos para campanha na televisão. A estética é mais adaptada às redes sociais.
Presença digital e apoio
Lula buscou ouvir aliados que têm boa presença digital, como a deputada federal eleita por Minas Gerais Ana Elisa (PT).
O petista também passou a dar declarações mais fortes sobre a relação entre o STF (Supremo Tribunal Federal) e o antigo Banco Master, protagonista de um escândalo de fraude financeira. Além disso, endureceu o discurso sobre segurança pública.
Lula tenta uma virada sem precedentes nas eleições presidenciais. Desde a redemocratização, nunca um candidato que terminou o primeiro turno na segunda colocação conseguiu vencer na etapa final.
Os atos de rua realizados pelo petista nas últimas semanas de campanha do primeiro turno foram considerados bem-sucedidos por seus aliados por causa da quantidade de eleitores que foi atraída.
O tamanho das manifestações em cidades como Belém, Salvador e São Paulo fez com que o grupo político de Lula chegasse empolgado para o primeiro turno no domingo da eleição. Isso aumentou o baque sentido por aliados do presidente por causa do resultado das urnas.
O presidente da República busca demonstrar animação e confiança, tanto publicamente quanto em reuniões internas. O petista quer evitar que seu grupo político se desmobilize, o que tornaria ainda mais difícil o esforço para virar a eleição. Em conversas reservadas, petistas avaliam ser pouco provável que o presidente saia vitorioso.