Fã-clubes de Anitta a BTS se mobilizam para ampliar votos de Lula no 2º turno

Grupo se diz independente e combina postagens simultâneas com cards, slogans e hashtags
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Por Evelyn Aires

(Folhapress) – Após o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) obter 45,16% dos votos válidos, menos que seu adversário Flávio Bolsonaro (PL) no primeiro turno, fã-clubes brasileiros começaram uma mobilização nas redes sociais para tentar ampliar os votos do petista no segundo turno.

As colaborações mostram mais de 100 fandoms em prol da mobilização a favor do petista. O grupo Fandoms com Lula reúne fã-clubes de artistas brasileiros como Anitta e Luísa Sonza, de grupos sul-coreanos como BTS e BLACKPINK, além de artistas de outras nacionalidades.

As estratégias incluem desde a publicação de fotos de artistas ao lado do presidente até a distribuição de cartilhas que funcionam como guias de abordagem a eleitores. Os materiais estão disponíveis no site “Quem compara vota Lula”.

A campanha do presidente também prepara uma força-tarefa digital para aumentar o desempenho de Lula nas redes sociais. Nesta quarta-feira (7), o presidente se reuniu com candidatas eleitas para a Câmara dos Deputados, com forte presença digital, como Erika Hilton (PSOL-SP), Sâmia Bomfim (PSOL-SP) e Ana Elisa (PT-MG).

O grupo se diz independente a afirma não ter qualquer filiação partidária, também divulgou manifestações e promoveu encontros. A reportagem procurou os administradores do Fandoms com Lula, mas não obteve resposta.

Entre os documentos compartilhados por usuários no X (ex-Twitter) está uma cartilha intitulada “Como vencer o 2º turno”. O material se apresenta como um guia prático para a eleição e orienta os participantes sobre quais grupos de eleitores procurar, quais argumentos utilizar e como abordar possíveis eleitores do presidente.

Fã-clubes de Anitta a BTS se mobilizam para ampliar votos de Lula no 2º turno
Fã-clubes de Anitta a BTS se mobilizam para ampliar votos de Lula no 2º turno

Embora a cartilha não informe autoria nem apresente identificação visual da campanha oficial de Lula, o arquivo disponibilizado no Google Drive aparece associado ao e-mail de Ergon Cugler, integrante desde o ano passado do Conselho de Desenvolvimento Econômico Social Sustentável (CDESS), conhecido como Conselhão, órgão de assessoramento direto ao presidente da República com membros da sociedade civil.

A reportagem procurou Cugler para saber qual foi a participação dele na elaboração ou distribuição do documento. Ele não respondeu aos questionamentos até a publicação desta reportagem.

O documento orienta os participantes a concentrar parte da mobilização em dois públicos: pessoas com 70 anos ou mais e beneficiários de programas sociais.

Eleitores com 70 anos ou mais têm voto facultativo e representam atualmente mais de 10% do eleitorado. A cartilha compara o número de idosos que deixaram de votar em 2022 com a diferença de votos registrada na disputa presidencial daquele ano e usa essa relação para defender que o aumento do comparecimento desse grupo pode ser decisivo para Lula.

A estratégia também dialoga com a preocupação da campanha com a abstenção no segundo turno, que pode acabar penalizando o petista.

Com beneficiários de programas sociais, o guia recomenda que os participantes conversem sobre programas governamentais, benefícios recebidos e a posição dos candidatos em relação à manutenção dessas políticas.

Entre os materiais utilizados para embasar as publicações estão reportagens da imprensa, conteúdos sobre os candidatos e peças produzidas para comparar os governos de Jair Bolsonaro (PL) e o atual.

A mobilização também ocorre de forma coordenada nas redes sociais. Fã-clubes combinam horários para publicar simultaneamente cards, slogans e hashtags. Em uma das ações, diferentes perfis foram convocados a divulgar às 18h peças com o slogan da mobilização.

A realização de publicações coordenadas por diferentes perfis não é, por si só, proibida pela legislação eleitoral. Entre as restrições previstas pela legislação estão a contratação de impulsionamento e de disparos em massa por pessoas físicas, além da concessão de vantagem econômica para que usuários façam publicações político-eleitorais.

A repercussão da mobilização levou usuários de oposição a questionar a legalidade das peças e a comunicar empresas e representantes donas dos direitos de artistas cujas imagens aparecem nas publicações.

Lucas Pavanato, deputado federal eleito pelo PL, chamou o movimento de “gabinete do ódio” nas redes sociais.

A presença de um artista em uma peça produzida por um fã-clube, no entanto, não significa necessariamente que ele tenha declarado apoio ao candidato.

Além da atuação digital, os perfis passaram a divulgar manifestações e atos programados em diferentes estados, como Maranhão e São Paulo.

O movimento também organizou uma conversa virtual entre integrantes da mobilização e Simone Nascimento, codeputada estadual da Bancada Feminista do PSOL, reeleita em São Paulo. Durante o encontro, Simone compartilhou estratégias de atuação, mobilização nas redes sociais e formas de aumentar o engajamento das publicações.

 

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