O secretário de Defesa dos Estados Unidos, Pete Hegseth, confirmou, nesta quinta-feira (8), que a execução de Nidal Malik Hasan, condenado pelo assassinato de 13 pessoas em uma base militar em Fort Hood, no Texas, em 2009, será transmitida ao vivo no dia 3 de dezembro e será realizada por um pelotão de fuzilamento.
Desde 1936, há 90 anos, o país não presencia uma execução pública. O último caso aconteceu no Kentucky, quando Rainey Bethea, um homem negro condenado por estuprar uma mulher branca, foi enforcado diante de uma multidão.
A medida marcará ainda a primeira execução por fuzilamento realizada pelas Forças Armadas norte-americanas desde 1945, quando o soldado Eddie Slovik foi executado na França por deserção, durante a Segunda Guerra Mundial.
A última execução militar de qualquer tipo realizada pelos EUA ocorreu em 1961, quando John Bennett foi enforcado no Kansas por estupro e tentativa de assassinato de uma menina de 11 anos.
Caso a transmissão seja realizada conforme anunciado, também será um precedente inédito para a exibição pública, ao vivo, de uma execução legal.

Em entrevista ao canal de TV Real America’s Voice, Hegseth disse que a exposição pública servirá de exemplo para mostrar que crimes do gênero não são aceitos e têm consequências graves nos EUA.
Questionado se Hasan havia feito algum pedido final, Hegseth respondeu: “Não me interessa. Nos veremos no dia 3 de dezembro.”
Ataque em base militar deixou 13 mortos
Nidal Hasan, hoje com 56 anos, foi condenado à morte em 2013 por um tribunal militar após ser considerado culpado por 45 acusações relacionadas a assassinatos premeditados e tentativas de assassinato.
Em novembro de 2009, Hasan abriu fogo em uma instalação médica de Fort Hood, no Texas. O ataque matou 13 pessoas e deixou outras 32 feridas. Na época, o ex-psiquiatra do Exército estava prestes a ser enviado ao Afeganistão.
Hasan ficou parcialmente paralisado após ser baleado por policiais durante a prisão e passou a usar cadeira de rodas.
A execução por pelotão de fuzilamento foi autorizada pelo presidente Donald Trump, conforme informou o Departamento de Defesa. Pela legislação militar norte-americana, a realização desse tipo de execução depende de aprovação presidencial e apenas cinco estados — Idaho, Mississippi, Oklahoma, Carolina do Sul e Utah — autorizam essa prática, de acordo com o Centro de Informações sobre a pena de morte.
O escritório do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos alertou nesta sexta-feira (9) que a transmissão do assassinato equivaleria a uma execução pública e “violaria a proibição absoluta da tortura”.
Além das Nações Unidas, políticos, líderes religiosos e defensores dos direitos humanos nos EUA e no exterior reprovaram a decisão. Hillary Clinton, ex-secretária de Estado americana, escreveu nas redes sociais : “Uma ideia bárbara, indigna de nossa nação. Reajam a isso.”
Yassamin Ansari, a primeira democrata iraniana-americana eleita para o Congresso dos EUA, repreendeu a medida do Governo Trump e o comparou às “ditaduras brutais do Irã e Afeganistão”.
“Na América de Trump, agora estamos realizando execuções públicas. Que absurdo! É isso que acontece sob ditaduras brutais como as do Irã e do Afeganistão. Tudo isso faz parte da tomada de poder autoritária de Trump nos Estados Unidos”, disse Ansari nas redes sociais.