Por Gabriel Gomes
O senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) mudou de posição sobre o fim da escala de trabalho 6×1 e anunciou, nesta terça-feira (13), que votará a favor da proposta defendida pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O recuo ocorre em meio à disputa do segundo turno e à pressão provocada pelo apoio popular à redução da jornada de trabalho sem diminuição dos salários.
Até então, Flávio vinha criticando a iniciativa, classificando a discussão como oportunismo eleitoral. O senador também evitava revelar seu voto, enquanto integrantes do PL tentavam adiar a análise da proposta para depois das eleições.
Agora, diante da possibilidade de desgaste eleitoral por se posicionar contra uma medida apoiada pela maioria dos trabalhadores, o candidato decidiu anunciar seu apoio à mudança.
“A maioria dos trabalhadores brasileiros querem o fim da 6×1, então vou votar a favor”, afirmou Flávio, após visitar o pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que cumpre prisão domiciliar após condenação por tentativa de golpe de Estado.

A mudança de discurso contrasta com as declarações anteriores do candidato. Embora tenha anunciado voto favorável, Flávio manteve críticas à proposta e defendeu que o governo arque com os custos que, segundo ele, seriam provocados pela redução da jornada. “Os empresários estão sufocados, estão quebrados. Então o governo vai ter que bancar essa compensação”, declarou.
O senador também voltou a defender uma proposta alternativa do PL, baseada na flexibilização da jornada e no pagamento proporcional às horas trabalhadas. Diferentemente da proposta apoiada pelo governo Lula, essa alternativa permitiria a redução dos salários conforme a diminuição das horas de trabalho.
A votação da PEC está prevista para esta quarta-feira (14), por determinação do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP). Flávio terá compromissos de campanha em Porto Alegre, mas poderá participar remotamente da votação.
A redução da jornada de trabalho se tornou um dos principais temas do segundo turno. Pesquisa Quaest divulgada em maio apontou que sete em cada dez brasileiros apoiavam o fim da escala 6×1, ampliando a pressão sobre candidatos que resistiam à mudança.