Campanha de Flávio criticou o fim da escala 6×1 ao menos 15 vezes desde fevereiro

Para grupo do PL, a proposta era “factoide”, “discussão ilusória” e ameaça ao emprego
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Integrantes do núcleo central da campanha de Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência da Republica e o próprio candidato criticaram o fim da escala 6×1 ao menos 15 vezes em discursos, entrevistas e lives publicados no YouTube desde fevereiro deste ano. É o que aponta um levantamento da coluna em falas de Flávio, do coordenador da campanha, senador Rogério Marinho (PL-RN), da economista Daniela Marques, apontada como futura ministra da Economia, e de apresentadores da TV celular, canal oficial do candidato. Nelas, a proposta aparece como “factoide”, “discussão ilusória” e ameaça ao emprego, ao mesmo tempo em que o canal, de forma contraditória, repete que Flávio “não é contra” o fim da escala.

Marinho é a voz mais frequente, com quase metade das críticas. Em fevereiro, ainda como líder da oposição, disse que “a questão do 6×1 é um factoide, é um não debate”. Em junho, afirmou que “o problema não é a jornada, o problema é a diminuição do poder de compra”. No mesmo mês, admitiu que “quase a totalidade” dos deputados da oposição era contra o fim da escala e que o voto pela “4×3” na Câmara serviu para mostrar que o governo “estava fazendo brincadeira”, estratégia que, segundo ele, “não vai ser essa no Senado”. Em setembro, disse que o governo “comete uma sandice” e reconheceu que o que fala “termina impactando na posição do próprio Flávio Bolsonaro”.

Flávio Bolsonaro criticou publicamente o tema, ao menos, cinco vezes conforme o ICL Notícias já tinha mostrado. Em maio, ainda pré-candidato, discursou na Confederação Nacional de Municípios e disse que “todos nós queremos e merecemos trabalhar menos e ganhar mais”. Em seguida, afirmou que o fim da 6×1 vai “causar um impacto nos municípios de mais de 50 bilhões de reais por ano”. Ele votou a favor do projeto na quarta-feira, mas só depois de conversar com o pai, Jair Bolsonaro, e sequer esteve presente na sessão no Senado.

Daniela Marques chamou a medida de “mais uma tentativa do Lula, o caloteiro da esperança e do futuro, de enganar as pessoas mais humildes”. Também disse que as mulheres a quem Lula promete um dia de descanso “vão perder o emprego por isso” e ironizou a “fórmula fantástica de você trabalhar um dia menos e ganhar a mesma coisa”.

Na TV celular, a contradição aparece no mesmo programa. Em 24 de setembro, o apresentador afirmou que Flávio “é a favor do fim de todas as escalas” e, logo depois, repetiu que, com o fim da 6×1, quem ganha R$ 3.000 “passa a ganhar 2.700”. Na véspera, outro programa do canal previu que o patrão vai perguntar ao funcionário: “Você quer ser PJ ou perder o emprego?”. Como alternativa, a campanha apresentou a “PEC do trabalho flexível”, que mantém o teto de 44 horas semanais e permite negociar jornadas menores com pagamento por hora e direitos proporcionais.

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