Em ato com milhares em Florianópolis, Boulos fala em 2º turno para garantir fim da 6×1

Ministro teme que proposta votada e aprovada pelo Senado seja destruída em eventual governo de Flávio Bolsonaro, que sempre foi crítico do tema
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Em um ato público realizado na noite de quinta-feira, no Largo da Alfândega, no Centro de Florianópolis, o Ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência da República, Guilherme Boulos, celebrou a conquista histórica do fim da escala 6×1, garantida pelo Senado. Mesmo assim, não deixou de mirar o futuro e alertou as milhares de pessoas que acompanharam sua fala sobre os riscos reais de a emenda constitucional ser substituída em manobra do bolsonarismo caso Lula não seja reeleito.

“É um dia histórico. O Senado finalmente aprovou dois dias de descanso para os trabalhadores do Brasil, para as mulheres trabalhadoras do Brasil. Isso foi resultado da luta da classe trabalhadora, do movimento VAT, da PEC da Erika (Hilton) e do Presidente Lula ter passado essa pauta, ter defendido essa pauta”, pontuou o ministro.

Aclamado, ele fez um alerta: “O segundo turno da 6×1 vai ser no dia 25 de outubro, porque a gente aprendeu com Pepe Mujica que nenhuma conquista é definitiva”. Boulos lembrou que o projeto de Flávio Bolsonaro não é o fim da escala 6×1, mas sim a chamada PEC das horas trabalhadas. O líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcante, admitiu isso em entrevista realizada na quarta-feira. Quem fez a proposta foi o senador Rogério Marinho, coordenador da campanha de Flávio Bolsonaro.

A proposta vende a ideia de que os empregados possam escolher entre seguir o regime de trabalho tradicional da CLT ou um regime flexível baseado em horas trabalhadas, o que descaracteriza o eixo centra da PEC votada nesta semana, que aumenta tempo de descanso sem impactar no salário.

“Além de ser contra o trabalhador, ele é covarde. Além de ter boicotado o fim da 6×1 estes meses todos, não teve coragem de botar sua posição no voto”, disse. A avaliação da campanha de Lula é de que Flávio recuou da ideia de ser contrário ao projeto devido à pressão popular às vésperas do período eleitoral. “Foi lá e votou a favor achando que ia enganar quem?”, questionou Boulos. “Ontem, nós ganhamos o fim da 6×1. No dia 25, nós vamos confirmar essa conquista para o povo trabalhador desse país”.

Depois, em rápida conversa com jornalistas, o ministro também reforçou a preocupação com a revogação da PEC caso Flávio Bolsonaro vença as eleições. Apesar da disputa apertada, ele se mostrou confiante e otimista com a mobilização nas ruas. “Quem vai definir essa eleição não é palanque, é isso aqui”, disse, referindo-se à ocupação das ruas, que chamou de “sentimento de rua”.

Boulos liderou ato pela virada em Florianópolis (Foto: Ricardo Wolffenbüttel)

“Outubrada”

Principal estrela do segundo grande ato público realizado em Florianópolis na semana, Boulos disse ter se impressionado com a ocupação das ruas pelo movimento estudantil na terça-feira, 13 de outubro, em frente a Catedral da cidade. Ele lembrou do episódio histórico conhecido como “Novembrada”, quando estudantes da capital do estado de Santa Catarina protestaram contra o então presidente João Figueiredo, num dos momentos que é considerado um marco para o enfraquecimento do regime militar.

Boulos brincou que sentia que a cidade estava próxima de uma “outubrada” e também falou sobre o fato de Santa Catarina ser considerado um estado bolsonarista. “Tem gente que diz que Santa Catarina é o estado dos bolsonaristas. Mas o que eu estou vendo aqui hoje é que Santa Catarina vai estar na linha de frente da virada”, disse.

O evento foi organizado pelos partidos da coligação de Lula e reuniu no palanque deputados eleitos, além dos candidatos ao senado, Décio Lima e Afrânio Boppré, vencidos pela polêmica chapa do PL formada por Caroline De Toni e Carlos Bolsonaro. Décio voltou a presidir o Sebrae, de onde tinha se afastado para a disputa eleitoral.

“Santa Catarina tem uma história de trabalho, coragem e participação. Estamos confiantes de que é possível ampliar o apoio ao presidente Lula, mostrando tudo o que está em jogo para o futuro do Brasil e do nosso Estado”, afirmou.

Além da celebração do fim da escala 6×1, o evento também deu espaço para as pautas dos motoboys e motoristas de aplicativos, que subiram no carro de som para reivindicar direitos e agradecer conquistas do governo Lula, como o Move Brasil, que facilitou a compra de veículos para entregadores.

Em Florianópolis, o presidente Lula recebeu 40,83% dos votos, contra 48,63% de Flávio Bolsonaro. A campanha de Flávio Bolsonaro também tem anunciado, por meio da imprensa, a realização de eventos públicos, com motos e jetskis, contrastando com a ocupação das ruas centrais realizadas pelos apoiadores da reeleição de Lula nos últimos dias.

 

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