Rubio manda seu vice para países vizinhos ao Brasil no dia da eleição

Representante do governo Trump estará no Paraguai e Argentina na semana decisiva da eleição brasileira; Departamento de Estado não confirma que vai reconhecer resultados
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O Departamento de Estado norte-americano anunciou que o vice-secretário de Estado, Christopher Landau, viajará para Assunção, no Paraguai, e Buenos Aires, na Argentina, entre os dias 19 e 26 de outubro. A viagem ocorre durante a eleição no Brasil.

Num comunicado, o governo de Donald Trump ainda indicou que o secretário-adjunto de Estado para Assuntos do Hemisfério Ocidental, Juan Pablo Segura, acompanhará o vice-secretário.

Landau é o homem forte da diplomacia dos EUA para a América Latina, percorrendo a região em inúmeras ocasiões nos últimos meses. Ele responde diretamente ao secretário de Estado, Marco Rubio.

Oficialmente, o vice-secretário liderará uma delegação comercial composta por empresas norte-americanas para “explorar oportunidades de investimento no Paraguai”.

“O vice-secretário Landau também se reunirá com altos funcionários do governo paraguaio para reafirmar a histórica parceria estratégica entre os Estados Unidos e o Paraguai. Eles discutirão formas de expandir o comércio e os investimentos, aprofundar a cooperação em segurança regional e combater o crime transnacional”, indicou o Departamento de Estado.

Já em Buenos Aires, o vice-secretário se reunirá com altos funcionários do governo argentino e líderes do setor privado para “dar continuidade ao impulso gerado pelo lançamento, pelos Estados Unidos e pela Argentina, do Corredor Andes-Atlântico durante a Semana de Alto Nível da Assembleia Geral da ONU”.

“Eles discutirão maneiras de promover o crescimento econômico, aumentar os investimentos norte-americanos e fortalecer a cooperação em segurança”, indicou.

No comunicado, o Departamento de Estado ainda apontam que a viagem do vice-secretário “reflete o compromisso da Administração Trump com um Hemisfério Ocidental seguro, estável e próspero”.

Numa sinalização que deixou observadores da sociedade civil preocupados, o governo de Donald Trump não se comprometeu em reconhecer os resultados eleitorais no Brasil.

Há duas semanas, congressistas norte-americanos enviaram uma carta ao Departamento de Estado, cobrando um posicionamento por parte de Marco Rubio sobre a eleição no país. A principal preocupação do grupo liderado pelo senador Bernie Sanders era de que o voto no Brasil fosse alvo de uma operação de desestabilização por parte dos EUA. No documento, Sanders e outros pressionavam o governo Trump sobre qual seria a reação da Casa Branca diante da situação brasileira.

A carta foi seguida por outras duas manifestações por parte deputados e senadores dos EUA, também pressionando Rubio a dar respostas sobre o posicionamento americano no processo democrático no país.

Mas na resposta, enviada nesta quinta-feira, o governo Trump não deu qualquer garantia de que irá reconhecer o resultado das urnas.

Num texto lacônico, o Departamento de Estado afirma:

“Os EUA apoiam o direito do povo brasileiro a um processo eleitoral livre e justo. Continuaremos a dialogar com o povo brasileiro, o setor privado e o governo eleito para promover a segurança, o comércio recíproco, os investimentos e a prosperidade em ambos os países”.

A resposta não foi sequer assinada por Rubio. Coube a Katherine Bowles, sub-secretária para Assuntos Legislativos do Departamento de Estado, enviar o texto.

A carta acendeu um alerta. Nos últimos meses, a sociedade civil brasileira tem percorrido gabinetes de democratas nos EUA, alertando sobre o risco de que Trump não reconheça o resultado da eleição.

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