Snipers da PM são posicionados em prédios durante ato de Flávio Bolsonaro em SP

Durante manifestação, Flávio afirmou que o pai, Jair Bolsonaro, lhe entregará a faixa presidencial caso vença a eleição
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Por Gabriel Gomes

Atiradores de precisão da Polícia Militar de São Paulo (PMSP), conhecidos por snipers, foram posicionados no alto de edifícios da Avenida Paulista durante a manifestação convocada pelo candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL), neste domingo (18), a uma semana do segundo turno das eleições. Imagens mostram agentes encapuzados, portando fuzis e, segundo relatos nas redes sociais, em determinados momentos, com as armas direcionadas para janelas de imóveis próximos ao local do ato bolsonarista.

“Uma semana antes da eleição, acordamos com mascarados de fuzil apontados pra nossa janela. Isso não é normal”, publicou a advogada Mayra Cotta nas redes sociais.

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Questionada pelo ICL Notícias sobre a presença dos policiais armados, a Polícia Militar afirmou que o posicionamento de agentes em locais elevados faz parte das estratégias de segurança para identificar possíveis ameaças e permitir uma resposta rápida das equipes que atuam nas ruas.

“O posicionamento de policiais militares para observação avançada em posição visível busca desestimular ações que possam ameaçar a integridade física das pessoas e proporciona visão ampliada do local, permitindo identificar possíveis ameaças e comunicá-las rapidamente às equipes em solo, favorecendo uma resposta ágil e coordenada para a segurança de todos”, informou a corporação.

Após a primeira resposta, a PM chegou a enviar uma segunda nota, afirmando que a presença dos atiradores seguia protocolos internacionais de segurança para eventos com grande concentração de pessoas e autoridades, como no caso da manifestação, que contou com representantes dos poderes Executivo e Legislativo.

Posteriormente, a Secretaria da Segurança Pública (SSP) pediu que a segunda nota fosse desconsiderado, uma vez que o texto era “um modelo antigo de resposta”, enviado à PM como referência e interpretado equivocadamente como uma nova manifestação oficial. A SSP informou, então, que a primeira versão é a resposta válida da corporação.

Flávio diz que receberá faixa do pai

A manifestação bolsonarista começou por volta das 11h20 e reuniu apoiadores na Avenida Paulista. Segundo apontou a metodologia do Monitor do Debate Político da USP/Cebrap e da More in Common, o ato reuniu 71,9 mil pessoas no seu ápice. Com margem de erro de 12%, a estimativa indica que o público ficou entre 63,3 mil e 80,5 mil pessoas às 12h20, horário de pico.

O ato ocorreu uma semana depois de uma mobilização favorável ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), realizada no mesmo local, em 11 de outubro. Segundo a campanha petista, a manifestação da última semana reuniu cerca de 1 milhão de pessoas, número divulgado pelos organizadores.

Flávio Bolsonaro no ato na Avenida Paulista. (Foto: Charles Vieira)
Flávio Bolsonaro no ato na Avenida Paulista. (Foto: Charles Vieira)

Flávio Bolsonaro chegou acompanhado da mulher, Fernanda, e fez um discurso breve. O candidato afirmou que precisava preservar a voz para o debate presidencial marcado para a noite deste domingo, promovido pela Band e outros veículos de comunicação. Mesmo assim, aproveitou a manifestação para atacar Lula e o PT.

Flávio prometeu “salvar o Brasil do PT” e afirmou que, se eleito, receberá a faixa presidencial das mãos do pai, Jair Bolsonaro (PL), condenado a 27 anos e três meses de prisão por crimes relacionados à tentativa de golpe de Estado e atualmente em prisão domiciliar. “Vocês verão Jair Messias Bolsonaro colocar a faixa de presidente da República no filho dele”, declarou.

O senador também declarou: “Vou cuidar do país, vou cuidar de você”. A promessa de cuidado ocorre em meio à divulgação de propostas econômicas polêmicas com cortes em programas sociais e propostas que sugerem impacto na aposentadoria.

Diante da repercussão negativa de seu plano, Flávio negou que pretenda promover cortes às custas de quem mais precisa e contestou a possibilidade de desvincular aposentadorias e o Benefício de Prestação Continuada (BPC) do reajuste do salário mínimo. Essas, porém foram as medidas adotadas durante o governo de seu pai, Jair Bolsonaro (PL).

A discussão envolve o chamado “tesouraço”, pacote de medidas atribuído à equipe econômica ligada ao campo político do candidato. As propostas incluem o fim dos pisos constitucionais de gastos com saúde e educação e mudanças nas regras de reajuste das aposentadorias do INSS e do BPC.

A manifestação contou com a presença do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), do prefeito Ricardo Nunes (MDB) e de outros aliados políticos do candidato. Também participaram parlamentares bolsonaristas, entre eles o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG).

Além dos ataques ao governo federal, manifestantes exibiram cartazes contra o Supremo Tribunal Federal (STF) e o ministro Alexandre de Moraes, relator do processo que levou à condenação de Jair Bolsonaro. Durante o ato, Nikolas Ferreira afirmou que a próxima legislatura deverá buscar a cassação do magistrado.

Com informações da Folhapress e do Brasil de Fato*

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