Em ato de Flávio na Paulista, bolsonaristas pedem que Trump bombardeie Brasil com arma nuclear

Estrutura em formato de míssil exibida durante manifestação deste domingo (18) fere soberania nacional
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Por Brasil de Fato

Manifestantes bolsonaristas exibiram uma representação de um míssil com um pedido de ataque nuclear contra o Brasil durante o ato em apoio à candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência da República, neste domingo (18), na avenida Paulista, em São Paulo. A manifestação contou com a presença do senador e de aliados, como o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG).

A estrutura branca, erguida entre os participantes, trazia a inscrição em inglês “Trump nuke Brazil”, que pode ser traduzida como “Trump, ataque o Brasil com armas nucleares”. Nas imagens, pessoas vestidas de verde e amarelo aparecem junto ao objeto, em meio a bandeiras brasileiras.

Ao pedir que uma potência estrangeira ataque o próprio país com armas nucleares, os manifestantes adotam uma postura de lesa-pátria e afrontam a soberania brasileira.

A exibição do pedido ocorre em meio à aproximação da família Bolsonaro com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e às articulações de integrantes do grupo político por medidas estadunidenses contra o Brasil.

Aproximação com Trump

Flávio esteve seis vezes nos Estados Unidos ao longo de 2026. Em 26 de maio, foi recebido por Trump no Salão Oval da Casa Branca. Segundo o próprio senador, a conversa envolveu crime organizado, tarifas comerciais e minerais críticos.

Ao menos três senadores democratas estadunidenses denunciaram uma campanha de interferência e desestabilização contra o Brasil. Em carta ao secretário de Estado, Marco Rubio, citaram pressões econômicas e diplomáticas e o encontro de Trump com Flávio. O governo dos Estados Unidos já havia rejeitado acusações semelhantes.

Na sexta-feira (16), durante sabatina no Jornal Nacional, Flávio voltou a prometer a adesão brasileira ao Escudo das Américas. A iniciativa de Trump prevê cooperação em inteligência e possibilidade de deslocamento de tropas estadunidenses para países participantes.

Terras raras e interesses dos EUA

Os recursos minerais brasileiros também fazem parte dessa aproximação. Em discurso na conferência conservadora CPAC, no Texas, em março, Flávio apresentou o Brasil como uma alternativa para reduzir a dependência dos Estados Unidos em relação aos minerais críticos chineses.

Em entrevista ao Brasil de Fato, a pesquisadora Nathália Francisco, do Observatório das Metrópoles e do Movimento pela Soberania Popular na Mineração (MAM), avaliou que o alinhamento aos interesses de Washington pode aprofundar a dependência brasileira. As terras raras abastecem setores como transição energética, tecnologia e indústria militar.

Eduardo Bolsonaro e os canais diplomáticos

Eduardo Bolsonaro também atua nos Estados Unidos em busca de pressões contra autoridades brasileiras. Para isso, houve contratação de uma empresa de lobby por uma fundação presidida por Paulo Figueiredo, neto do ditador brasileiro João Figueiredo (1979-1985) e aliado de Eduardo.

Segundo o texto, os dois articulam ações por tarifas contra o Brasil e sanções a ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). Procurado naquela ocasião, Paulo Figueiredo negou que a fundação tivesse vínculo formal ou informal com integrantes da família Bolsonaro.

O Palácio do Planalto, por sua vez, atribui às articulações da família Bolsonaro parte do agravamento da crise comercial entre Estados Unidos e Brasil. Auxiliares de Lula ressaltam que as negociações entre os países são conduzidas pelo Ministério das Relações Exteriores e pelos órgãos responsáveis pelo comércio exterior.

 

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