(Folhapress) – Uma falha no Programa Smart Sampa, da Prefeitura de São Paulo, permitiu acesso indevido às imagens dos equipamentos por quase um ano, de acordo com reportagem publicada pelo UOL. No período, a segurança de milhões de pessoas ficou exposta.
A reportagem alega ter encontrado dados restritos e sigilosos do Smart Sampa expostos na internet. O UOL conseguiu entra na plataforma com os dados expostos e acessou câmeras de UBSs (Unidades Básicas de Saúde), escolas, creches, Caps (Centro de Atenção Psicossocial), hospitais e UPA (Unidades de Pronto Atendimento).
A gestão Ricardo Nunes (MDB) afirmou que houve vazamento ilegal de dados por parte de um servidor, que foi afastado e é investigado.
Os dados sensíveis, de acordo com a reportagem, estavam em um repositório público na internet há cerca de um ano e incluíam 181 logins e senhas de usuários autorizados do sistema, dados de mais de 6.000 agentes de segurança e instruções para reproduzir o Smart Sampa em qualquer computador ou telefone celular.
O Smart Sampa é uma das grandes vitrines da gestão Nunes e um dos principais investimentos na segurança pública.
O programa afirma ter possibilitado a prisão de 6.850 pessoas em flagrante.
O UOL afirma ter acessado o sistema por meio de uma interface criada para espelhar as informações do programa de câmeras. A página foi criada com um prompt de inteligência artificial que usou informações do repositório de dados abertos. Nessa plataforma, a reportagem conseguiu ver o rosto de pessoas e veículos filmados pelo Smart Sampa.
Para provar que teve acesso às câmeras em tempo real, a reportagem gravou os próprios jornalistas acenando, nas ruas, para os equipamentos do Smart Sampa em uma rua no bairro Campos Elíseos, no centro da capital paulista.
Questionada, a Prefeitura de São Paulo afirmou que não há nenhuma fragilidade nos mecanismos de segurança da plataforma do Programa Smart Sampa. O que houve, de acordo com a gestão municipal, foi um vazamento ilegal de dados por parte de um servidor entre os mais de 7.500 agentes de segurança. Ele já foi identificado, afastado e sua conduta está sendo investigada pela Corregedoria da Guarda Civil Metropolitana.
“Portanto, a prefeitura reforça que se trata de um ato criminoso. A reportagem do UOL acessou o sistema a partir de um vazamento ilegal e tenta classificar o caso como falha na segurança, agindo, assim, com irresponsabilidade e desinformando a população. Importante destacar que não houve em nenhum momento qualquer uso indevido da plataforma”, afirmou em nota.
O programa conta com a fiscalização do Tribunal de Contas do Município e consultoria especializada em governança e privacidade de dados, destacou a prefeitura.
“O repositório de dados disponibilizado ilegalmente na internet foi retirado do ar pela Pasta e não havia nele menção a senhas de acesso”, ressaltou.
A prefeitura diz que o Smart Sampa encaminha semestralmente ao Ministério Público um Relatório de Transparência, já na 3ª edição.
“As obrigações contratuais preveem auditorias periódicas, testes de segurança, monitoramento, apresentação de relatórios técnicos e correção de eventuais vulnerabilidades. A Coordenadoria de Tecnologia, Integração e Segurança (CTIS), da SMSU, atua na supervisão e fiscalização da plataforma, afirmou.