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Oito em cada dez focos de incêndio registrados no Amazonas durante a primeira quinzena de outubro ocorreram em propriedades rurais privadas. É o que aponta um levantamento do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), divulgado pelo site G1. Os dados também revelam uma disparada das queimadas a partir de 4 de outubro, data do primeiro turno das eleições.

Entre os dias 1º e 15 de outubro, foram identificados 1.639 focos de calor no estado, dos quais 79,1% estavam em imóveis rurais privados com Cadastro Ambiental Rural (CAR). A situação é especialmente grave na região de Manaus, onde os incêndios provocam intensa fumaça e prejudicam a qualidade do ar.

Segundo o Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam), 19 municípios das regiões metropolitana e central do estado acumularam 15.674 focos de calor entre janeiro e 14 de outubro, número 109% superior à média histórica para o período.

O crescimento se intensificou após o primeiro turno. Entre 4 e 14 de outubro, foram contabilizados 5.598 focos, contra apenas 149 no mesmo intervalo de 2025. O aumento representa uma quantidade aproximadamente 37 vezes maior.

Marcelo Camargo/Agência Brasil
Oito em cada dez focos de incêndio no Amazonas estão em propriedades privadas. (Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)

As autoridades ambientais apontam a ação humana como principal responsável pelas queimadas. Desde 9 de setembro, o governo estadual mantém a proibição do uso do fogo, mas os incêndios continuam. A Polícia Federal, a Agência Brasileira de Inteligência (Abin) e a Polícia Civil investigam possíveis ações criminosas.

O Ibama já aplicou R$ 2 milhões em multas, autuou 19 pessoas e embargou mais de 250 hectares na região de Manaus. A Polícia Civil do Amazonas também instaurou mais de 120 procedimentos para apurar o uso criminoso do fogo.

Os dados do Inpe mostram ainda que 52,8% dos focos ocorreram em áreas desmatadas nos últimos três anos, enquanto 30,6% atingiram terrenos abertos há mais tempo. Outros 15,9% foram registrados em vegetação nativa.

Apesar da queda recente do desmatamento na Amazônia, o uso irregular do fogo em áreas já devastadas continua sendo um problema. A seca, agravada pelo fenômeno El Niño, contribui para a propagação das chamas e aumenta o risco de incêndios em áreas de floresta preservada.

O Ibama também investiga a possibilidade de que responsáveis pelas queimadas estejam aproveitando o período eleitoral e uma percepção de impunidade para intensificar as ações.

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