O Sermão do Monte na semana decisiva

Segundo Jesus, falsos profetas são lobos em pele de ovelha
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A imagem foi traçada por Jesus no seu Sermão do Monte (Mateus 7.15-23). Brandura combina com vigor. Coragem não destoa da delicadeza. A fala de Jesus mira as pessoas comuns no seu cotidiano e acerta os poderosos iludidos em suas prepotências.

O hindu Mahatma Gandhi (1869-1948) fez do Sermão do Monte o guia ético e espiritual para a sua luta de desobediência civil não violenta. O anticolonialismo à moda de Gandhi vibra a ternura assertiva de Jesus de Nazaré. Martin Luther King Jr., em sua luta não violenta pelos direitos civis dos negros norte-americanos, fez do Sermão do Monte a sua bússola ética, política e pastoral. Em seu último sermão, antes de ser assassinado, profetizou: “Eu estive no topo da montanha”.

A ética vocalizada por Jesus no Sermão do Monte adverte: “Acautelai-vos dos falsos profetas, que se vos apresentam disfarçados em ovelhas, mas por dentro são lobos roubadores” (Mateus 7.15). O campo das igrejas evangélicas está cheio de lobos disfarçados. Percebe? Isso ficou, mais uma vez, evidente no período eleitoral.

Aos pastores honrados: fingir que não está acontecendo nada é negar a nossa vocação. É comprometer o nosso discernimento espiritual. É abusar da nossa inteligência. Na covardia dos profetas, os lobos se reproduzem e formam alcateias numerosíssimas que farejam e dilaceram rebanhos.

Vamos cuidar do rebanho que Deus nos confiou dando nome aos bichos. Lobo é lobo, ainda que promova um candidato da minha preferência ou ataque um desafeto meu. Caso contrário, se perdermos essa sensibilidade espiritual, teremos sido nós, os pastores, os engolidos — ainda que não nos demos conta disso.

 

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