Foragido do 8 de janeiro hostiliza eleitores na Polônia

Ex-BBB ofende e filma brasileiros na porta do consulado do Brasil em Varsóvia; clima também fica tenso em Madri e Lisboa
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Um foragido dos ataques de 8 de janeiro de 2023 em Brasília foi identificado na porta do consulado do Brasil na Polônia, hostilizando eleitores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Chamando os eleitores de “idiotas” e “vagabundos”, Adriano Castro filmava as pessoas e provocava, questionando se estavam com a estrela vermelha do PT. Conhecido como Didi Red Pill e ex-BBB, o foragido ainda ameaçava chamar a polícia, caso a pessoa estivesse com o símbolo do PT. “Aqui, só uma minoria de patriota. O resto, tudo petista”, disse.

Castro relatou em suas redes que deixou o Brasil pelo Paraguai, para depois seguir para a Colômbia, Costa Rica e Panamá, antes de chegar aos países europeus.

Num dos episódios, ele provocava um brasileiro e promovia um bate boca nas ruas de Varsóvia. Em outra troca de ofensas com brasileiros, o foragido gritava: “hoje é o fascista que vai vencer, pode chorar”.

No primeiro turno, duas brasileiras foram hostilizadas pela extrema direita na Polônia. Elas se apresentaram à embaixada brasileira em Varsóvia e fizeram uma foto na saída da sessão eleitoral.  Uma delas postou a foto nas redes sociais, exibindo um broche discreto com a estrela do PT no lado esquerdo do peito.

O perfil de uma delas começou a ser alvo de uma ofensiva de xingamentos que, a cada hora, ganhava força. Eram, acima de tudo, contas de brasileiros de extrema-direita.

Até que, em um certo momento, os ataques passaram a focar no fato de uma delas estar supostamente carregando um símbolo comunista na roupa: a tal estrela vermelha do PT.

Em 2009, a Polônia alterou o Artigo 256 de seu código penal, proibindo a exibição de “símbolos fascistas, comunistas e outros símbolos totalitários”. Em 19 de julho de 2011, o Tribunal Constitucional da Polônia declarou a emenda parcialmente inconstitucional, por restringir a liberdade de expressão.

Em 2016, a chamada “Lei de Descomunização” proibiu definitivamente a “promoção do comunismo e de outros sistemas totalitários” em espaços públicos e reverteu oficialmente nomes de ruas da era comunista, bem como monumentos, placas comemorativas e outros artefatos em espaços públicos, com exceção de cemitérios. Essa lei também sistematizou a remoção de centenas de monumentos da era comunista em todo o país, mediante a elaboração de um inventário detalhado deles.

Embora a “promoção de ideias comunistas” continue ilegal na Polônia, a exibição de símbolos comunistas não é mais explicitamente proibida, desde que não tenha o objetivo de atacar outro grupo, converter eleitores ou disseminar o ódio.

Há ainda outro elemento. O broche era do PT, um partido que sequer é comunista.

Mas a complexidade dessa lei e o fato de Lula não pertencer a um partido de extrema-esquerda pouco importava para a horda de ultradireita nas redes sociais.

As duas brasileiras passaram a ser acusadas e foram alvos de ameaças. Numa das postagens, um deles sugeria um “corretivo dos nacionalistas”.   As contas que fizeram parte dos ataques ainda sugeriam que elas fossem deportadas para a prisão de segurança máxima de El Salvador.

Nas redes sociais, esse movimento de extrema-direita passou a marcar políticos e grupos ultraconservadores da Polônia, na esperança de ganhar o apoio local. E, de certa forma, a estratégia funcionou. O caso ganhou uma nova dimensão quando o eurodeputado Dominik Tarczyński resolveu encampar a briga.

Em suas páginas, ele fez uma convocação aos radicais poloneses para que o ajudassem a encontrar as brasileiras e as deportassem da Polônia, supostamente por estarem com um símbolo comunista.

No segundo turno, as duas brasileiras voltaram ao local da eleição e deram seus votos para Lula.

O clima também esquentou diante do centro de votação do Brasil em Madri. Grupos bolsonaristas filmavam os petistas e pediram a presença da polícia. Brasileiros interpretaram o gesto como uma tentativa de intimidação. Um dos focos foi Mariana Rodriguez, de 40 anos e moradora de Málaga.

Em Lisboa, a polícia teve de ser chamada para apaziguar os ânimos entre grupos bolsonaristas e petistas.

 

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