Celina Leão (PP) é reeleita governadora do Distrito Federal

Com mais de 90% das urnas apuradas, o resultado foi confirmado pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral)
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Por Mateus Vargas

(Folhapress) – A governadora do Distrito Federal, Celina Leão (PP), 49, foi reeleita para o cargo no segundo turno das eleições deste domingo (25). Com mais de 90% das urnas apuradas, o resultado foi confirmado pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral).

Celina tinha 57,21% dos votos válidos, contra 42,70% de Leandro Grass (PT), e a disputa já estava matematicamente definida.

Para projetar a vitória de um candidato, o Datafolha acompanha os dados da apuração divulgados pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral) e, por meio de um sistema próprio, faz a projeção do resultado considerando o agrupamento de eleitores por mesorregião e natureza do município em cada estado. Quando há número razoável de votos apurados nesses agrupamentos, é possível estimar que um candidato não poderá mais ser ultrapassado e, portanto, projetar sua vitória.

A decisão do ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Cristiano Zanin de prorrogar por duas horas a votação em todo o país, emitida pouco após as 17h, causou confusão entre mesários e presidentes de seção. Em alguns locais do país, urnas já haviam sido encerradas e contabilizadas, com a impressão de boletins de urna. A prorrogação do horário é inédita no país.

Essa foi a primeira vez que Celina disputou o cargo de governadora. Antes, foi deputada distrital e federal e assumiu, em 2023, o cargo de vice de Ibaneis Rocha (MDB).

Ela passou a comandar a capital federal em março, após Ibaneis deixar o governo com a intenção de disputar uma vaga ao Senado — em julho, ele anunciou a desistência da candidatura em meio ao desgaste envolvendo a tentativa frustrada de compra do Banco Master pelo BRB (Banco de Brasília).

Durante a campanha, Celina se afastou do ex-governador e dividiu palanques com os principais nomes da direita no DF: a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) e a deputada Bia Kicis (PL), eleitas senadoras, além de Damares Alves (Republicanos), que já ocupa vaga no Senado. Recebeu também o apoio de Flávio Bolsonaro (PL).

A disputa pelo comando do Distrito Federal foi levada ao segundo turno por uma margem pequena de votos. Celina obteve 49,93% dos votos válidos, contra 34,47% do petista.

Ela terá mandato até o fim de 2030. Entre os desafios iniciais da governadora reeleita está a crise envolvendo a compra frustrada do Banco Master, de Daniel Vorcaro, pelo BRB — ela já busca empréstimo de até R$ 6,6 bilhões junto ao FGC (Fundo Garantidor de Crédito) para recompor o caixa do banco.

Também disputaram o primeiro turno da eleição Paula Belmonte (PSDB), Ricardo Capelli (PSB), Kiko Caputo (Novo), Professora Samara Mineiro (UP), Professor Robson, Elisson (Agir), Expedito Mendonça (PCO) e Rico Pinheiro (PRTB).

A disputa ao Governo do DF foi marcada, ainda, pela rejeição da candidatura de José Roberto Arruda (PSD) por condenações por improbidade no caso da Operação Caixa de Pandora.

Ex-governador da capital federal de 2007 a 2010, Arruda chegou a aparecer empatado tecnicamente com Celina em simulação de primeiro turno da pesquisa Datafolha de 21 de agosto.

A campanha do candidato do PSD, porém, perdeu fôlego com os sinais de que ele teria de deixar a disputa, o que se confirmou por decisão do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) dada em 24 de setembro, quando Arruda já aparecia em terceiro lugar nas pesquisas.

Caso Master – BRB

Celina era vice de Ibaneis quando o BRB tentou comprar o banco de Daniel Vorcaro. Durante a campanha, ela repetiu que não se envolveu na operação. Também disse que não tinha contato com o então presidente do banco, Paulo Henrique Costa, atualmente preso.

Vorcaro, porém, afirmou em abril de 2025 que Celina “não ficou de fora” das discussões e que o discurso dela era “jogo pra se preservar na política”, de acordo com diálogos extraídos do celular do ex-banqueiro e revelados pela Folha de S.Paulo.

Celina disse que a reportagem mostrando os diálogos estava fora de contexto e criava “uma narrativa que não é verdadeira”. A governadora afirmou que nunca teve qualquer tipo de contato com Vorcaro e que sempre foi contra a operação BRB-Master.

O Banco Central rejeitou a compra em setembro de 2025. O Master foi liquidado pelo BC em novembro do mesmo ano, após a prisão de Vorcaro em operação da Polícia Federal quando ele embarcava de jatinho para o exterior.

A compra de carteiras de crédito falsas do Master seguida pela tentativa de aquisição do banco provocou um rombo bilionário no BRB, cujo principal acionista é o Governo do Distrito Federal.

O tamanho do prejuízo do BRB, porém, ainda não foi tornado público. Desde que o escândalo Master veio à tona, nenhum relatório operacional foi apresentado, como as demonstrações dos resultados de 2025 e do primeiro semestre deste ano.

Investigações da PF concluíram que o BRB transferiu cerca de R$ 17 bilhões ao Master. A maioria desses repasses era de títulos falsos, ou seja, sem valor –eles equivalem a cerca de R$ 12,2 bilhões.

Celina tem insistido em um empréstimo de até R$ 6,6 bilhões junto ao FGC para recompor o caixa do BRB, mas a medida enfrenta a resistência de grandes bancos, que participariam da operação como fiadores.

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