O bilionário Elon Musk foi às redes sociais para colocar em dúvida o resultado eleitoral no Brasil. Em uma postagem para seus 241 milhões de seguidores, ele cita uma conta feita por um aliado do trumpismo e alerta: “A conta não fecha”.
O gesto foi mais uma declaração pública por parte da ultradireita global para tentar colocar em questão a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva.
Na postagem, a conta diz que seria improvável a virada e cita números do primeiro e segundo turno. Mas não fala nem das abstenções e nem do fato de que o TSE não colocou em dúvida o resultado.
A declaração de Musk ampliou a desconfiança de que o movimento de extrema direita americana continuará a disseminar a ideia de que houve uma suposta fraude no Brasil.
Enquanto dezenas de países reconhecem e parabenizam o brasileiro pela vitória, por enquanto o presidente Donald Trump não se pronunciou e a Casa Branca estuda a possibilidade de não reconhecer o resultado. Há uma pressão por parte dos bolsonaristas para que Washington atue neste sentido, usando a prorrogação do horário de eleição como pretexto.
Nas redes sociais, um dos advogados de Trump, Martin de Luca, questionou se o domingo havia sido o dia em que “Lula se transformou em Nicolas Maduro”, alertou para o suposto roubo nas eleições e indicou que “ninguém reconheceria” a eleição.
A publicação também foi compartilhada por Elon Musk, com um comentário no melhor de seu estilo: “wow”.
Donald Trump Junior, filho do presidente americano, também compartilhou a publicação.
Na semana passada, numa sinalização que deixou observadores da sociedade civil preocupados, o governo de Donald Trump não se comprometeu em reconhecer os resultados eleitorais no Brasil.
Há duas semanas, congressistas norte-americanos enviaram uma carta ao Departamento de Estado, cobrando um posicionamento por parte de Marco Rubio sobre a eleição no país. A principal preocupação do grupo liderado pelo senador Bernie Sanders era de que o voto no Brasil fosse alvo de uma operação de desestabilização por parte dos EUA. No documento, Sanders e outros pressionavam o governo Trump sobre qual seria a reação da Casa Branca diante da situação brasileira.
A carta foi seguida por outras duas manifestações por parte deputados e senadores dos EUA, também pressionando Rubio a dar respostas sobre o posicionamento americano no processo democrático no país.
Mas na resposta, enviada nesta quinta-feira, o governo Trump não deu qualquer garantia de que irá reconhecer o resultado das urnas.
Num texto lacônico, o Departamento de Estado afirma:
“Os EUA apoiam o direito do povo brasileiro a um processo eleitoral livre e justo. Continuaremos a dialogar com o povo brasileiro, o setor privado e o governo eleito para promover a segurança, o comércio recíproco, os investimentos e a prosperidade em ambos os países”.
A resposta não foi sequer assinada por Rubio. Coube a Katherine Bowles, sub-secretária para Assuntos Legislativos do Departamento de Estado, enviar o texto.
A carta acendeu um alerta. Nos últimos meses, a sociedade civil brasileira tem percorrido gabinetes de democratas nos EUA, alertando sobre o risco de que Trump não reconheça o resultado da eleição.
A ação da oposição é considerada como estratégica para observadores brasileiros. A pressão dos parlamentares pode gerar constrangimentos para uma eventual ação desestabilizadora por parte de Trump. A esperança do Brasil é de que essa movimentação ainda sirva como um contraponto dentro do próprio EUA, caso o presidente americano opte por não reconhecer uma vitória de Lula.
O qualificativo de “livre e justo” por parte do Departamento de Estado para se referir à eleição no Brasil também chama a atenção. Uma parte da sociedade civil questiona quem, nos EUA, designaria que a eleição foi “livre e justa”. A suspeita é de que esses termos possam ser usados, eventualmente, para justificar uma decisão por parte de Trump de dizer que esses critérios não teriam sido atendidos.
Dias depois da carta de Sanders, um grupo de senadores liderado por Jeanne Shaheen, do Comitê de Relações Exteriores do Senado, e pelos senadores Tim Kaine e Peter Welch, voltaram a cobrar o Departamento de Estado.
A acusação era de favorecimento explícito à candidatura de Flávio Bolsonaro. “A recente reunião no Salão Oval entre o senador e candidato à presidência Flávio Bolsonaro e o presidente Trump — realizada em meio a tentativas de atenuar um escândalo político interno — evidencia a disposição da Administração em interferir no processo eleitoral”, indicam.