Esquema milionário investigado pela PF levou à prisão do presidente do TCE-MT

Investigação aponta suspensão de pagamentos a fornecedores para favorecer empresas de publicidade
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A Polícia Federal investiga um suposto esquema de corrupção no Tribunal de Contas de Mato Grosso (TCE-MT) que envolveria a suspensão de pagamentos a fornecedores com contratos regulares para priorizar repasses a empresas de publicidade. A apuração levou à prisão do presidente do tribunal, Sérgio Ricardo de Almeida, e de outras cinco pessoas nesta quinta-feira (29), durante a Operação Tomada de Contas.

Segundo os investigadores, um dos suspeitos movimentou R$ 33 milhões em apenas um ano, enquanto saques que somam R$ 500 mil foram atribuídos ao presidente do tribunal. A PF apura se as transações financeiras estão relacionadas ao possível direcionamento de recursos públicos.

A assessoria do TCE-MT informou que o órgão não vai se manifestar sobre o caso.

Além de Sérgio Ricardo, foi preso o procurador do tribunal Grhegory Paiva Pires. O Superior Tribunal de Justiça (STJ) também determinou o afastamento dos conselheiros em atividade Guilherme Maluf e Alisson Alencar, além do conselheiro aposentado Valter Albano da Silva, que integrava a Comissão Permanente de Sustentabilidade do tribunal.

Outros servidores e um advogado também foram presos: Roseli Loss, secretária executiva do TCE; Adriangelo Barros Antunes, assessor de Sérgio Ricardo; Gustavo Fernandes da Silva, assistente jurídico; e Felipe Jose Glinke, advogado.

Como funcionaria o esquema

De acordo com a PF, o grupo teria utilizado o controle sobre os pagamentos do tribunal para favorecer determinadas empresas. A suspeita é de que repasses a fornecedores com contratos legítimos fossem suspensos para preservar recursos destinados a empresas de publicidade.

Os investigadores apuram se a prática também era usada para pressionar fornecedores e estabelecer tratamento diferenciado entre empresas contratadas pelo TCE-MT.

A investigação identificou movimentações bancárias milionárias consideradas atípicas, incluindo os R$ 33 milhões movimentados por um dos suspeitos ao longo de um ano. Também foram identificados depósitos bancários e saques frequentes em dinheiro nas dependências do tribunal.

A PF investiga se essas operações financeiras estão ligadas ao possível desvio de recursos públicos.

Operação cumpre mandados em três estados

A Operação Tomada de Contas cumpre seis mandados de prisão preventiva e 26 de busca e apreensão em Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e São Paulo. Mais de 180 policiais federais participam da ação, autorizada pelo STJ.

Durante a operação, foram apreendidos documentos, caixas com dinheiro em espécie, relógios e carros de luxo. A investigação também prevê acesso a informações protegidas por sigilo e bloqueio de bens relacionados ao caso.

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