Governo quer votar PEC da Segurança sem redução da maioridade e propõe texto à parte

Ministro da articulação política quer evitar alteração no texto aprovado pela Câmara
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Por Augusto Tenório e Carolina Linhares

(Folhapress) – O ministro de Relações Institucionais, José Guimarães, reuniu nesta terça-feira (3) líderes da base do governo no Senado para evitar a votação da redução da maioridade penal junto com a PEC (Proposta de Emenda à Constituição) da Segurança Pública.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tem pressa para aprovar o projeto neste ano, mas uma mudança levaria o texto de volta à Câmara.

Havia dúvida se de fato o governo Lula defenderia a separação, diante da popularidade do tema. Segundo Guimarães, o Planalto não é contra a discussão da redução da maioridade, mas pontuou que é preciso discutir a proposta separadamente da PEC, para evitar uma alteração no texto aprovado pelos deputados em março deste ano.

“Vamos votar a PEC como veio da Câmara, é a que passou na CCJ [Comissão de Constituição e Justiça] e, portanto, o relator vai trabalhar para não acatar nenhuma emenda”, afirmou José Guimarães após a reunião, que contou com os líderes do governo na Câmara, Paulo Pimenta (PT-RS), no Senado, Teresa Leitão (PT-PE), e no Congresso, Randolfe Rodrigues (PT-AP).

O relator da PEC da Segurança é o senador Rogério Carvalho (PT-SE), o que facilitou para o Planalto a construção do parecer nos moldes desejados.

Ministro de Relações Institucionais, José Guimarães

Emendas para inserir na proposta a redução da maioridade foram protocoladas pela oposição, mas o senador Camilo Santana (PT-CE) também apresentou um texto semelhante, para impedir o desgaste do presidente Lula durante a campanha eleitoral.

De acordo com Guimarães, o governo vai tratar da redução da maioridade em separado. “Está posta essa discussão [da redução da maioridade penal] no governo, mas não dá para misturar. O presidente Lula precisa da constitucionalização da PEC para criar o Ministério da Segurança Pública”, disse ele.

O líder da oposição, Rogério Marinho (PL-RN), já avisou a aliados que manterá a emenda para redução da maioridade. A proposta dele reduz para 16 anos a inimputabilidade penal e para 14 anos em caso de crimes definidos como hediondos, tortura, tráfico ilícito de entorpecentes e drogas afins, terrorismo, organização e associação criminosa.

O ministro pontuou que, se a oposição insistir na emenda, o texto será definido “no voto”.

A aprovação de uma PEC requer 49 votos, e o Planalto acredita ter o apoio necessário para aprová-la. Para incorporar uma emenda à proposta, a oposição precisa da mesma quantidade.

A líder do governo no Senado, Teresa Leitão (PT-PE), destacou o foco do governo em não permitir uma alteração; “A PEC da Segurança é um instrumento vital, foi protocolada em 2025. O debate da maioridade para esta PEC é um corpo estranho. É um debate que precisa ser feito, mas não no âmbito de uma PEC estruturante do sistema de segurança pública”, explicou.

O líder do governo no Congresso, Randolfe Rodrigues (PT-AP), completou: “A partir da aprovação dessa PEC, a União será incorporada ao sistema de combate ao crime organizado e facções criminosas, que hoje é de competência dos estados. Não temos óbice ao debate de redução de maioridade penal, que está colocado na Câmara com uma comissão especial. Temas relativos tramitarão numa PEC em paralelo e enviada para a comissão especial”.

A PEC da Segurança é um dos focos do governo neste fim de ano no Congresso. O Planalto entende que é preciso garantir sua aprovação antes da votação do Orçamento de 2027, para garantir a criação do Ministério da Segurança Pública já com previsão orçamentária. A implementação da pasta é uma promessa de campanha do presidente Lula.

Hoje, o Ministério da Justiça e Segurança Pública concentra o debate das duas áreas. Pelo desenho em discussão, o novo ministério reuniria a Senasp (Secretaria Nacional de Segurança Pública), a Senappen (Secretaria Nacional de Políticas Penais), a Polícia Federal e a Polícia Rodoviária Federal.

A PEC amplia o papel da União na coordenação das políticas de segurança pública e fortalece a atuação conjunta dos governos federal, estaduais, distrital e municipais no combate à criminalidade.

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