Ameaças de bomba provocam pousos de emergência em voos na Europa

Alertas enviados por e-mail provocaram desvios de aeronaves e mobilizaram equipes antibombas; autoridades investigam a autoria das mensagens
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Uma onda de ameaças de bomba atingiu mais de 25 voos comerciais na Europa nesta quinta-feira (5), provocando desvios de rota, pousos de emergência e operações de segurança em aeroportos de diferentes países. Apesar da mobilização das autoridades, nenhum explosivo foi encontrado nas aeronaves inspecionadas até o momento.

As ameaças foram encaminhadas por e-mail a aeroportos europeus. Na República Tcheca, a polícia confirmou que o Aeroporto Václav Havel, em Praga, recebeu mensagens anônimas indicando a presença de bombas em quatro aeronaves. Alertas semelhantes também chegaram a outros terminais do continente.

Um dos episódios mais graves envolveu um avião da companhia Aer Lingus que havia partido de Dublin, na Irlanda, com destino a Roma, na Itália. A aeronave declarou emergência enquanto sobrevoava o norte da França e precisou pousar na base aérea de Évreux. O avião transportava 151 passageiros e seis tripulantes, que passaram por procedimentos de segurança. Ninguém ficou ferido.

Outros voos operados pela Finnair, LOT e Wizz Air também receberam ameaças. Os alertas afetaram trajetos entre cidades como Helsinque, Viena, Varsóvia, Bruxelas, Milão e Bucareste. Em alguns casos, as aeronaves conseguiram chegar aos destinos previstos, enquanto outras precisaram alterar suas rotas.

Na Espanha, três aviões no Aeroporto de Barajas, em Madri, foram alvo de ameaças, mas as inspeções não identificaram explosivos. Também houve registros de incidentes na Bulgária, na República Tcheca e na Itália.

Site de monitoramento de voos FlightRadar 24 mostra rota de avião que fez pouso de emergência em base aérea da França por ameaça de bomba, em 5 de novembro de 2026. — Foto: Reprodução/ FilghtRadar 24
Site de monitoramento de voos FlightRadar 24 mostra rota de avião que fez pouso de emergência em base aérea da França por ameaça de bomba, em 5 de novembro de 2026. (Foto: Reprodução/ FilghtRadar 24)

Suposto grupo antifeminista reivindica ameaças

Parte dos alertas teria sido enviada por um grupo que se apresentou como Stato Maschile, associado a um discurso antifeminista. Segundo reportagem do jornal italiano Corriere della Sera, uma mensagem encaminhada a funcionários do aeroporto de Roma afirmava que explosivos haviam sido colocados em dois aviões que viajavam de Helsinque e Dublin para a capital italiana.

O e-mail, escrito em italiano, continha ameaças contra um suposto regime feminista e anunciava que as aeronaves explodiriam em 60 minutos.

“Seu regime feminista jamais se esquecerá disso. A explosão acontecerá em 60 minutos. Hoje, seu céu estará vermelho”, dizia um trecho da mensagem, conforme reproduzido pelo site BioBio, do Chile.

O avião procedente de Helsinque conseguiu pousar em Roma sob escolta de caças da Força Aérea Italiana. Já a aeronave que havia partido de Dublin foi desviada para a França. As inspeções não encontraram artefatos explosivos.

Apesar da reivindicação, as autoridades ainda não confirmaram a existência do grupo responsável pelas mensagens nem identificaram seus integrantes.

De acordo com o jornal italiano La Stampa, o nome utilizado nos e-mails apresenta semelhanças com o de uma rede extremista russa conhecida por discursos misóginos, ultranacionalistas e homofóbicos. Não há, porém, evidências confirmadas de que essa organização esteja envolvida nas ameaças.

A polícia italiana investiga a origem das mensagens, que apresentavam erros gramaticais e podem ter sido produzidas com auxílio de ferramentas de tradução automática.

Europa investiga possível ligação entre ameaças

Os episódios desta quinta-feira ocorreram após uma sequência de incidentes semelhantes registrados ao longo da semana. Na terça-feira (3), pelo menos sete voos e um navio de cruzeiro também receberam ameaças de bomba, sem que explosivos fossem encontrados.

A nova onda de alertas acontece em um cenário de tensões entre países europeus e a Rússia, especialmente após denúncias de sabotagem, ataques cibernéticos e incursões de drones no espaço aéreo do continente.

Autoridades europeias já acusaram a Rússia e o Irã de envolvimento em operações classificadas como ataques híbridos, que combinam diferentes estratégias para provocar instabilidade e prejudicar serviços essenciais. Os dois países negam promover essas ações.

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