O dólar encerrou esta quinta-feira (5) em alta de 0,67%, cotado a R$ 5,4876, após investidores buscarem proteção na moeda americana diante do aumento da aversão ao risco nos mercados internacionais. O movimento também refletiu preocupações com os rumos da política econômica brasileira após a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
A valorização reverteu a queda registrada na quarta-feira (4), quando a moeda americana havia recuado 0,64%, encerrando o pregão a R$ 5,4511. Durante a manhã, o real chegou a se beneficiar da decisão do Banco Central de manter a taxa básica de juros, mas perdeu força com a piora do cenário externo.
Nos Estados Unidos, a queda das ações de empresas ligadas à inteligência artificial aumentou a cautela dos investidores. O setor enfrenta incertezas após a vitória dos democratas nas eleições de meio de mandato, que pode resultar em maior fiscalização sobre empresas de tecnologia e projetos de expansão de centros de processamento de dados.
Com a instabilidade nas bolsas americanas, investidores reduziram a exposição a ativos considerados mais arriscados, incluindo moedas de países emergentes, como o real. No exterior, o índice do dólar, que acompanha a moeda americana diante de uma cesta de seis divisas, avançava 0,09%, aos 101,560 pontos, no fim da tarde.
Selic permanece em 13,75% ao ano
No Brasil, o mercado repercutiu a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom), que manteve a taxa Selic em 13,75% ao ano na quarta-feira. A decisão, tomada por unanimidade, interrompeu uma sequência de cinco cortes consecutivos nos juros.
A manutenção da taxa favoreceu inicialmente o real, já que juros elevados tornam os investimentos brasileiros mais atrativos para parte dos investidores estrangeiros. No entanto, a pressão internacional acabou prevalecendo ao longo do pregão.
O cenário doméstico também foi influenciado pelas discussões sobre a política fiscal do governo Lula. Nesta quinta-feira, o presidente reuniu integrantes da equipe econômica, ex-ministros e economistas para debater medidas para o próximo mandato.
Após o encontro, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que o governo mantém o compromisso com a sustentabilidade das contas públicas e com a melhora dos resultados fiscais, mas não apresentou propostas específicas. Segundo ele, as medidas ainda passarão por avaliação antes de serem submetidas ao presidente.
Produção industrial recua e Bolsa opera em queda
Outro indicador que chamou a atenção do mercado foi o desempenho da indústria brasileira. A produção industrial caiu 0,8% em setembro, na comparação com agosto, resultado pior do que a retração de 0,2% esperada por analistas consultados pela Reuters.
Na comparação com setembro de 2025, a atividade industrial apresentou queda de 2,5%, reforçando os sinais de desaceleração da economia brasileira.
A Bolsa brasileira também foi pressionada pelo ambiente internacional. Por volta das 17h, o Ibovespa recuava 0,52%, aos 166.695 pontos, acompanhando as perdas das bolsas de Nova York. As ações de bancos contribuíam para o desempenho negativo, enquanto Petrobras e Vale ajudavam a limitar a queda do índice.
Os investidores agora aguardam a divulgação do relatório oficial de emprego dos Estados Unidos, prevista para sexta-feira (6). Os dados poderão influenciar as expectativas sobre as próximas decisões de juros do Federal Reserve, o banco central americano, e provocar novas oscilações no câmbio.