Leia depoimento no qual Cid conta como recebeu dinheiro de Braga Netto

O depoimento de Cid no dia 21 de novembro de 2024 foi decisivo para a prisão de Braga Netto
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Então basicamente sobre o planejamento do “Punhal Verde Amarelo”; a primeira vez que eu fui contactado pra conversar sobre tal coisa a esse respeito foi quando eu estava em Goiânia, eu ia comandar o Batalhão de Ações de Goiânia e eu fui participar já da reunião comando, reunião para planejar já o ano de 2023, que ia entrar. Eram dois, três dias de reunião e, numa dessas noites, quando tinha acabado atividade, eu fui procurado, né, pelo De Oliveira e pelo Ferreira Lima, que são colegas de trabalho meu, e… 

A data foi entre 10 e 11 de novembro, né, 9, 10 ou 11 de novembro né, em que eles expressavam a indignação com o que estava acontecendo no país, que alguma coisa tinha que ser feita, tinha uma mobilização de massa muito grande, que o Exército tinha que fazer alguma coisa, que o Presidente não podia se omitir, que os generais não podiam se omitir, né, e que eles estavam propostos a fazer alguma ação que gerasse alguma mobilização de massa, né, que pudesse causar um caos institucional flu alguma: coisa que pudesse levar a uma decretação de um Estado Defesa, sítio, né. e alguma coisa nesse sentido, né? E queria saber o que eu sugeriria. Aí o que eu falei para eles foi: “Olha só, eu não tenho contato com manifestantes, não tenho contato com liderança nenhuma, eu não mantenho esses contatos nem com o pessoal dos manifestantes”. Aí eles sugeriram conversar com o general Braga Netto, né, que o general maga Netto, ele que mantinha, ele que mantinha o contato com… com os manifestantes, com o pessoal dos acampamentos na frente dos quartéis, que tinha essa ligação, digamos. mais popular, ligação com o pessoal do agro, né, e ligação, obviamente. com o presidente Bolsonaro. Então, isso foi dia 10 ou 11. Dia 11, quando eu retornei; dia 12, nós fomos na casa do general Braga Netto. Na casa do general Braga Netto…(…)

Aí eu estava no Alvorada, expediente normal no sábado, quando eles chegaram, eles me encontraram alí, a gente marcou na banca de jornal perto da casa do general nos encontramos e fomos lá, né? a O De Oliveira já conhecia o general Braga Netto anteriormente parece que já tinha servido com ele na… no Rio, o De Oliveira já conhecia já conhecia o general Braga da intervenção, né, com trabalho de forças especiais, tinha uma ligação muito próxima ao general. Próxima não, funcionalmente naquele momento, então já conhecia ele de outros trabalhos. 

E aí a conversa foi nesse nível: nós temos que fazer alguma coisa para que haja uma mobilização de massa, que haja alguma ação que tenha repercussão, que faça que o Exército tenha que fazer uma coisa, tenha que decretar um estado de sítio, os generais entendam a necessidade, que o presidente aceite assinar alguma coisa ou não, né? Mas tudo, assim, sem saber o que fazer. Não tinha nada específico, ainda detalhado do que se ia fazer. 

E aí começaram a surgir algumas ideias para mobilizar os caminhoneiros, parar o país; não, vamos bloquear a estrada. Então, ideias que podiam ser feitas para… Quando entoru no nível das ideias, o general Braga Netto interrompeu e falou assim: “Não, o Cid não pode participar, tira o Cid porque ele é próximo ao Bolsonaro”. (…)

E aí, a reunião continuou, eu não falei mais com eles. Dois dias depois, o Major De Oliveira me liga e aí ele pergunta pra mim – está nos autos: “Alguma novidade?” Como eu não sabia de nada, nem tinha conversado com o general Braga Netto, também não perguntei, porque era o meu perfil, eu falei: “Não sei, você que tem que me dizer”. Porque, realmente, eu não sabia o que eles tinham falado, combinado ou planejado fazer. Aí, ele fala assim: “Ah, estamos sem recursos”. Né? Alguma coisa assim: “Não temos recursos”. Eu falei: “Não, tudo bem, vou ver se eu consigo”. 

Aí eu fui procurar o general Braga Netto, não sabia o que tinham planejado: falei: general. eu não sei o que foi conversado aí, mas ele estão precisando de dinheiro”. Aí o general deu a ideia de: “Peça para eles fazerem uma solicitação, o que eles precisam inicialmente e nós vamos ver se o partido consegue bancar alguma coisa (e, inicialmente, até pelo início das conversas, até na minha conversa [ininteligível], eu falei: “Não, tem que trazer o do Rio”

Eu achava que eles queriam encorpar as manifestações, trazer grupos de motoqueiros, para poder encorpar e ter um pessoal conhecido, digamos assim, na mão. Aí, ele me manda o primeiro documento, que foi aquele “Copa 2022”, que a Polícia Federal não conseguiu abrir. Naquele documento, tava descrito que eles precisavam de hotel, carro, passagem aérea, alguns dados. 

O valor de cem mil, inicialmente, fui eu que falei, assim, até de maneira brincando. né? Não tinha nem ideia de gasto. E o General Braga Netto me orientou a perguntar se o partido poderia custear isso aí. Aí eu fui conversar com o coronel lá que era responsável pelo partido, o… Eu não me recordo o nome dele. Inclusive, ele viu o documento. Eu imprimi o documento e mostrei para ele o documento. Esse documento, o inicial, que tinha só as relações. Aí ele falou que ele não poderia… o partido não podia trazer manifestantes ou apoiar com esse tipo de material. 

Aí eu voltei no general Braga Netto e ele falou: “Vou dar um jeito, vou tentar conseguir por outros caminhos”. Aí eu não me recordo as datas mas uma ou duas semanas depois, o general Braga Netto me entrega dinheiro. Acho que foi… Se eu não me engano, mas eu creio que foi quando o De Oliveira esteve no Alvorada. Ele me entregou era tipo uma coisinha de vinho, de presente de vinho, com dinheiro. Eu não contei, não sei quanto, tava grampeado e o De Oliveira veio buscar o dinheiro. Então, eu peguei o dinheiro e passei para o De Oliveira.

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