Os mercados mundiais começam esta segunda-feira (19) em trajetória negativa, impactados pela retirada da nota máxima de crédito dos Estados Unidos pela agência Moody’s na sexta-feira passada (16). Na avaliação de especialistas, isso sinaliza um alerta significativo sobre a trajetória fiscal do país, com implicações diretas nos mercados globais.
O rebaixamento de AAA para AA1 na nota, motivado pelo aumento persistente dos déficits e pelo custo elevado da dívida em um ambiente de juros altos, reforça a percepção de risco sobre a sustentabilidade fiscal norte-americana.
Com a agenda de indicadores esvaziada nos EUA, os agentes acompanham, nesta segunda-feira, os desdobramentos do rebaixamento da nota e discursos de dirigentes do Federal Reserve, o banco central estadunidense, que podem indicar ajustes na política monetária em resposta ao novo cenário.
No Brasil, a atenção dos agentes econômicos se divide entre a divulgação do Boletim Focus, os dados do IBC-Br e os novos parâmetros macroeconômicos da Secretaria de Política Econômica, que ajudarão a calibrar expectativas sobre o crescimento e a inflação. Em um contexto global mais incerto, os dados internos ganham ainda mais relevância para balizar decisões de política econômica e investimentos.
Brasil
O Ibovespa encerrou a sexta-feira (16) praticamente estável, com leve queda de 0,11%, aos 139.187 pontos — um alívio, considerando que chegou a recuar mais de 1% durante a tarde. No acumulado da semana, o índice subiu 1,96%, marcando a sexta valorização semanal consecutiva, algo que não acontecia desde o fim de 2023.
O dólar também teve um dia volátil, mas recuou 0,19%, a R$ 5,669, após duas sessões em alta. Já os juros futuros (DIs) encerraram o pregão com comportamento misto, refletindo incertezas no cenário doméstico e externo.
Fora do radar habitual das tarifas, o tema que dominou a sexta-feira foi a confirmação do primeiro foco de gripe aviária em uma granja comercial no Rio Grande do Sul.
Europa
As bolsas europeias também operam em baixa hoje, repercutindo a decisão da Moody’s de rebaixar a nota dos EUA. Além disso, acompanham a possibilidade de retomada de relações entre Reino Unido e a União Europeia.
O primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, receberá em Londres a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, além de outros altos representantes da UE, para uma cúpula muito aguardada. O encontro marca um passo significativo após a saída turbulenta dos britânicos do bloco europeu em 2020.
STOXX 600: -0,47%
DAX (Alemanha): -0,16%
FTSE 100 (Reino Unido): -0,48%
CAC 40 (França): -0,47%
FTSE MIB (Itália): -1,42%
Estados Unidos
Os índices futuros dos EUA começam a semana no campo negativo, repercutindo o rebaixamento da nota do país pela Moody’s, o que, na visão dos agentes, pode pressionar os preços dos títulos e aumentar os rendimentos em um momento em que a economia já está sob pressão da política tarifária de Donald Trump.
Dow Jones Futuro: -0,79%
S&P 500 Futuro: -1,20%
Nasdaq Futuro: -1,59%
Ásia
As bolsas asiáticas fecharam com baixa, enquanto os investidores avaliam os últimos dados econômicos da China e o rebaixamento da classificação de crédito dos EUA pela Moody’s.
Das notícias da região, as vendas no varejo da China avançaram 5,1% na comparação anual, abaixo da projeção de 5,5% dos economistas. Por outro lado, a produção industrial cresceu 6,1% no mês, superando as expectativas de alta de 5,5%, mas mostrando desaceleração frente ao salto de 7,7% registrado em março. Na opinião de analistas, isso sugere que o impacto das tarifas impostas pelos Estados Unidos foi mais brando do que se temia.
Shanghai SE (China), 0,00%
Nikkei (Japão): -0,68%
Hang Seng Index (Hong Kong): -0,05%
Kospi (Coreia do Sul): -0,89%
ASX 200 (Austrália): -0,58%
Petróleo
Os preços do petróleo operam em baixa, com as negociações para encerrar a guerra na Ucrânia e o rebaixamento da classificação de crédito dos EUA em foco.
Petróleo WTI, -0,67%, a US$ 62,07 o barril
Petróleo Brent, -0,73%, a US$ 64,93 o barril
Agenda
O foco da agenda nos EUA hoje são os discursos de membros do Fed (Federal Reserve, o banco central estadunidense).
Por aqui, no Brasil, as exportações de frango e derivados brasileiros estão suspensas para nove destinos, após a confirmação de um caso de gripe aviária em granja comercial no Rio Grande do Sul. Estão suspensas temporariamente a exportação de produtos avícolas brasileiros para China, União Europeia, Canadá, África do Sul, Chile, Argentina, Uruguai, México e Coreia do Sul, conforme levantamento do Ministério da Agricultura.
*Com informações do InfoMoney e Bloomberg