A Tesla enfrentou, na quinta-feira (5), sua maior queda em quatro anos, com uma desvalorização de 14,26% após um embate público entre Elon Musk, CEO da empresa, e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
A troca de farpas entre duas das figuras mais influentes do mundo abalou não apenas os mercados financeiros, mas também a frágil aliança política construída ao longo do primeiro mandato de Trump.
O conflito teve início após Musk criticar duramente o novo projeto de lei tributária apresentado por Trump, chamando a proposta de uma “aberração nojenta” e um risco fiscal para o país.
Trump respondeu dizendo-se “decepcionado” com o bilionário e ameaçou encerrar contratos federais com empresas de Musk, como Tesla e SpaceX. Em retaliação, Musk afirmou que Trump teria perdido a eleição sem seu apoio financeiro, estimado em mais de US$ 250 milhões.
Perda de bilhões para a Tesla
A tensão escalou rapidamente. Musk abandonou seu cargo informal na Casa Branca na semana anterior e passou a fazer lobby contra o projeto de lei no Congresso.
A legislação, já aprovada pela Câmara, pode eliminar antecipadamente créditos fiscais de até US$ 7.500 para veículos elétricos — o que, segundo analistas do JPMorgan, representaria uma perda de US$ 1,2 bilhão por ano para a Tesla.
Internamente, a ruptura preocupa os republicanos. Musk ameaçou mobilizar eleitores contra os parlamentares que votaram a favor da medida, o que pode impactar as primárias do partido e enfraquecer o controle republicano sobre o Congresso no segundo mandato de Trump.
No Congresso, aliados de Trump adotaram uma postura cautelosa. O senador Lindsey Graham defendeu o projeto, mas admitiu que há espaço para ajustes. Já o presidente da Câmara, Mike Johnson, se reuniu com congressistas para conter os efeitos das declarações de Musk.
Bastidores
Nos bastidores, a Casa Branca tenta minimizar o embate, atribuindo a reação de Musk aos cortes em subsídios para energia limpa — setor-chave para a Tesla. Outro ponto de atrito seria a retirada da indicação de Jared Isaacman, aliado de Musk, para liderar a Nasa.
O episódio expõe a fragilidade das alianças entre o governo Trump e figuras do setor privado e ressalta como disputas políticas podem ter impactos imediatos sobre grandes empresas e seus investidores.
Resta saber se a ofensiva de Musk será capaz de frear o avanço do projeto de lei — ou se selará de vez a ruptura com a administração que ele ajudou a eleger.