Governo recua de alta do IOF e propõe aumento de tributos para bets e fintechs

Fernando Haddad se reuniu com lideranças do Congresso no domingo (8); proposta será detalhada nesta segunda-feira (9)
ouça este conteúdo
00:00 / 00:00
1x

O governo federal decidiu recuar do aumento do IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) e editará uma MP (medida provisória) com novas medidas compensatórias para reforçar a arrecadação e corrigir distorções no sistema tributário. O anúncio foi feito na noite de domingo (8), após uma reunião considerada “histórica” entre o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, e os presidentes da Câmara e do Senado, Hugo Motta e Davi Alcolumbre, além de líderes partidários das duas Casas.

O texto da MP será finalizado e apresentado oficialmente nesta terça-feira (10), com o retorno do presidente Lula (PT) ao Brasil.

O novo pacote inclui a tributação de 5% sobre títulos hoje isentos de Imposto de Renda, como LCI e LCA; o aumento da taxação das apostas esportivas, as chamadas bets, de 12% para 18%; e a eliminação da alíquota reduzida de 9% da CSLL (Contribuição Social sobre o Lucro Líquido) para instituições financeiras — o que deve igualar fintechs e grandes bancos nas faixas de 15% a 20%.

“São títulos isentos que vão deixar de ser isentos, mas continuarão bastante incentivados”, argumentou Haddad.

Sobre as bets, o ministro disse que vai detalhar melhor o funcionamento desse mercado nesta segunda-feira (9).

O decreto original, que previa arrecadar até R$ 20 bilhões com o aumento do IOF, gerou desgaste político e mais de 20 propostas no Congresso para sua derrubada. Um dos pontos mais sensíveis era a incidência do IOF sobre operações de risco sacado, que afeta pequenas empresas que antecipam recebíveis. Essa cláusula será revisada: a taxa fixa será eliminada e a alíquota diária, recalibrada.

Motta se mostrou satisfeito com o resultado da reunião. “Para resolver a situação das contas públicas, o governo apresenta uma medida provisória que, na nossa avaliação, traz uma compensação financeira para o governo, mas muito menos danosa que a continuidade do decreto do IOF, como foi proposto de forma inicial”, disse.

Redução dos gastos tributários será uma das alternativas à alta do IOF

Além disso, será promovida uma redução de ao menos 10% nos gastos tributários, que são subsídios concedidos a determinados setores econômicos e que estão na mira do ministro desde o início do governo.

O Executivo promete iniciar uma discussão sobre cortes de despesas primárias. Uma reforma administrativa também foi mencionada por Hugo Motta como pauta para julho, em parceria com o Senado.

Haddad defendeu que a medida provisória corrige distorções que afetam o Tesouro Nacional, ao permitir que empresas com isenção fiscal acessem crédito mais barato que o governo.

As medidas propostas ainda dependem de aprovação do Congresso Nacional e deverão respeitar os princípios de noventena e anualidade, em casos aplicáveis.

Veja os principais pontos que foram discutidos

  • Tributação de 5% sobre LCI e LCA, que hoje são isentas de IR (Imposto de Renda).
  • Apostas esportivas (bets) passarão a ser tributadas em 18% sobre a receita líquida (GGR).
  • Eliminação da alíquota de 9% da CSLL para instituições financeiras, que passarão a pagar 15% ou 20%.
  • IOF sobre risco sacado será modificado, com fim da taxa fixa e ajuste na cobrança diária.
  • Redução de ao menos 10% nos gastos tributários e discussão sobre corte de despesas primárias.
  • Reforma administrativa deve ser apresentada em julho pelo Congresso.
  • Isenções fiscais serão revisadas; governo deve mapear R$ 800 bilhões em renúncias não previstas na Constituição.
Carregar Comentários
Assine nosso boletim econômico
Receba gratuitamente os principais destaques e indicadores da economia e do mercado financeiro.