A agência de classificação de risco Fitch Ratings manteve a nota de crédito do Brasil em “BB” com perspectiva estável, permanecendo apenas dois níveis abaixo do grau de investimento, que é considerado o selo de bom pagador. A manutenção da nota significa que o Brasil continua classificado como grau especulativo, ou seja, com risco um pouco mais elevado, o que influencia o apetite de investidores.
A decisão, divulgada na quarta-feira (25), reflete preocupações estruturais com a economia brasileira, incluindo a alta e crescente dívida pública, rigidez orçamentária, fraco desempenho de governança e baixo crescimento potencial, conforme as justificativas da agência para manter a nota.
A agência argumenta que o atual cenário político adiciona incertezas ao quadro fiscal. A proximidade das eleições presidenciais de 2026 e a queda na popularidade do governo Lula (PT) aumentam, segundo a Fitch, o risco de medidas populistas, como subsídios a serviços públicos e ampliação de benefícios sociais.
Embora a agência não preveja mudanças drásticas na condução da política econômica, ela destaca que o ambiente eleitoral pode afetar a confiança do mercado e a continuidade das reformas fiscais.
Para a Fitch, melhora do resultado primário é pontual
A Fitch também observa que a melhora no resultado primário — de um déficit de 2,4% do PIB em 2023 para 0,4% em 2024 — é pontual, impulsionada por receitas extraordinárias e precatórios, sem sinal de fortalecimento fiscal de longo prazo.
Além disso, a agência critica a dificuldade do governo em aprovar aumentos de arrecadação no Congresso e menciona que o pacote fiscal proposto no fim de 2024 gerou mais dúvidas do que soluções, contribuindo para a volatilidade dos mercados.
A perspectiva para a dívida pública também preocupa. A Fitch projeta que a dívida bruta do governo geral atinja 79,3% do PIB em 2025, com aumento médio de 3 pontos percentuais por ano. A taxa é significativamente superior à mediana dos países com rating “BB”, estimada em 53%.
Entenda o que significa a nota BB
A nota de crédito é uma avaliação da capacidade de um país (ou empresa) de honrar suas dívidas. O chamado grau de investimento é atribuído a emissores considerados seguros, com baixa probabilidade de calote.
Essa classificação influencia diretamente o apetite de investidores internacionais e pode restringir o acesso do país a determinados fundos de investimento, que por regra só aplicam em ativos com grau de investimento. Em função do risco maior, os investidores que decidem apostar em títulos brasileiros tendem a exigir retornos mais altos.
S&P Global também manteve rating do país
A agência de classificação de risco S&P Global, antiga Standard & Poor’s, também manteve a nota da dívida pública brasileira dois níveis abaixo do grau de investimento no início de junho. A agência reafirmou a perspectiva estável da classificação, indicando que não pretende mudar a nota nos próximos meses.
Em comunicado, a S&P informou esperar um aumento na dívida líquida do governo em decorrência de déficits fiscais elevados. No entanto, a desaceleração da economia num cenário de juros elevados deve reduzir o déficit nas contas externas do país, compensando as preocupações fiscais.