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As contas do governo central registraram um déficit primário de R$ 40,6 bilhões em maio, informou na quinta-feira (26) o Tesouro Nacional. Embora negativo, o resultado representa uma melhora expressiva frente ao mesmo mês de 2024, quando o déficit chegou a R$ 60,4 bilhões (valor corrigido pela inflação). Trata-se ainda do melhor desempenho para o mês de maio desde 2021.

O déficit primário ocorre quando as despesas do governo superam as receitas com impostos e tributos, desconsiderando o pagamento de juros da dívida pública. Em maio, a melhora no resultado foi impulsionada principalmente pela combinação de maior arrecadação e redução de gastos.

A receita líquida do governo federal – após as transferências constitucionais a estados e municípios – cresceu 2,8% em termos reais, alcançando R$ 178,8 bilhões, um recorde para o mês. Ao mesmo tempo, as despesas somaram R$ 219,4 bilhões, o que representa uma queda real de 7,6% em relação a maio do ano anterior.

Contas do governo têm saldo positivo no acumulado do ano

No acumulado entre janeiro e maio de 2025, as contas do governo central registraram superávit primário de R$ 32,2 bilhões, revertendo o déficit de R$ 28,7 bilhões registrado no mesmo período de 2024. Foi o melhor desempenho para os cinco primeiros meses do ano desde 2022, quando o superávit somou R$ 48,2 bilhões.

A melhora foi favorecida pela ausência de concentrações de pagamentos de precatórios (dívidas decorrentes de decisões judiciais) neste início de ano. Em 2024, essas despesas somaram R$ 30,8 bilhões e se concentraram em fevereiro. Segundo o Tesouro Nacional, a diferença no cronograma de pagamento dos precatórios entre 2024 e 2025 contribuiu diretamente para o saldo mais favorável.

De janeiro a maio, a receita líquida avançou 3,3% em termos reais, totalizando R$ 968,6 bilhões. Já as despesas recuaram na mesma proporção, somando R$ 936,4 bilhões no período.

Precatórios

Apesar do superávit acumulado no ano, está previsto o pagamento de R$ 70 bilhões em precatórios em julho. Em 2024, o governo antecipou o pagamento de precatórios para fevereiro.

Segundo o Relatório Bimestral de Receitas e Despesas, divulgado no fim de maio, o Orçamento de 2025 prevê déficit primário de R$ 97 bilhões. Ao considerar apenas os gastos dentro do arcabouço, há previsão de déficit primário de R$ 31 bilhões, no limite inferior da meta. O marco fiscal exclui R$ 45,3 bilhões de precatórios.

Desafio da meta fiscal

A meta fiscal para 2025 é zerar o déficit primário, que fechou o ano passado em R$ 43 bilhões. No entanto, pelas regras do novo arcabouço fiscal, o governo tem margem para registrar um déficit de até 0,25% do PIB – cerca de R$ 31 bilhões – sem ser considerado descumpridor da meta. Além disso, R$ 44,1 bilhões em precatórios ficam fora do cálculo oficial para fins de apuração da meta.

Apesar das incertezas, os dados de maio e do acumulado do ano indicam que o governo está, por ora, em trajetória compatível com o objetivo de reequilibrar as contas públicas, ainda que com margem estreita e dependência de fatores conjunturais como arrecadação e controle de gastos.

Resumo – Contas Públicas de Maio e Acumulado do Ano (2025)

  • Déficit primário em maio: R$ 40,6 bilhões
  • Melhora em relação a maio de 2024: déficit foi de R$ 60,4 bilhões (corrigido pela inflação)
  • Maior arrecadação líquida: R$ 178,8 bilhões (+2,8% em termos reais)
  • Redução de gastos: R$ 219,4 bilhões em despesas totais (-7,6% em termos reais).
  • Melhor resultado para maio desde 2021

Acumulado de Janeiro a Maio (2025)

  • Superávit primário acumulado: R$ 32,2 bilhões
  • Reversão de cenário: em 2024, houve déficit de R$ 28,7 bilhões no mesmo período
  • Gastos com precatórios menores: R$ 30,8 bilhões pagos em 2024; em 2025, pagamentos estão diluídos
  • Receita líquida total: R$ 968,6 bilhões (+3,3% em termos reais)
  • Despesas totais: R$ 936,4 bilhões (-3,3% em termos reais)

Meta Fiscal e Regras

  • Meta do governo para 2025: déficit zero
  • Limite permitido pelo arcabouço fiscal: déficit de até 0,25% do PIB (aproximadamente R$ 31 bilhões)
  • Precatórios de R$ 44,1 bilhões ficam fora da meta
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