Centrão de Hugo Motta rasgou Oração de São Francisco

Em tempos de emendas Pix e Orçamento Secreto, presidente da Câmara traiu governo Lula com emboscada do IOF
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O grupo político conhecido como “Centrão” foi criado em 1988, durante o governo Sarney (1985-90), sob liderança do deputado paulista Roberto Cardoso Alves (PMDB). A turma que se dizia “nem direita e nem esquerda” usava como lema declarado um trecho da Oração de São Francisco de Assis: “É dando que se recebe”.

O negócio era votar a favor dos projetos do governo federal em troca de verbas e benefícios — concessões de emissoras de rádio e tv, por exemplo. Sem essa de Orçamento Secreto ou emendas Pix, como no atual Congresso.

Havia muita corrupção, óbvio, mas nada parecido com o que Flávio Dino, ministro do STF, tem encontrado nas gestões de Hugo Motta e do antecessor Arthur Lira na presidência da Câmara.

Embora se pareçam nas tenebrosas transações, a principal diferença entre o Centrão de ontem e o Centrão de hoje está no aspecto religioso: o bando atual esqueceu a reza franciscana, só recebe, nem sempre dá em troca votações favoráveis.

Mire-se na emboscada do IOF que Motta preparou para o governo Lula nesta semana. Traição escandalosa. Do tipo em que um dos cônjuges só descobre o chifre pelas redes sociais — o presidente da Câmara só avisou da votação pela rede “X”. Xis de X9, evidentemente.

Repare nessa conta macabra: dos 383 votos que derrotaram a equipe de Lula & Haddad, 242 foram dados por parlamentares de legendas que possuem ministérios no governo.

É dando cargos, verbas e títulos de ministros que se é derrotado. Humilhantemente derrotado. O novo Centrão de Davi Alcolumbre e Hugo Motta rasgou o catecismo à moda antiga e qualquer preceito da oração de São Francisco.

Agora está em jogo outro princípio da reza: é perdoando que se é perdoado?

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