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O setor público consolidado brasileiro – que inclui o governo federal, estados, municípios e estatais – registrou déficit primário de R$ 33,7 bilhões em maio, segundo dados divulgados nesta segunda-feira (30) pelo Banco Central. Apesar do saldo negativo, o número representa uma melhora significativa em relação ao mesmo mês de 2024, quando o rombo foi de R$ 63,9 bilhões.

O resultado de maio também foi o melhor para o mês desde 2022, quando o déficit foi de R$ 33 bilhões, em valores nominais.

O déficit primário é registrado quando as despesas superam as receitas, desconsiderando o pagamento de juros da dívida pública.

Conforme o relatório de Estatísticas Fiscais do setor público, o desempenho por esfera de governo em maio foi o seguinte:

  • Governo federal: déficit de R$ 37,4 bilhões
  • Estados e municípios: superávit de R$ 4,5 bilhões
  • Empresas estatais: déficit de R$ 926 milhões

O resultado foi impulsionado por uma alta real de 2,8% na arrecadação líquida, que alcançou R$ 178,8 bilhões – um recorde para o mês. Ao mesmo tempo, as despesas totais recuaram 7,6% em termos reais, somando R$ 219,4 bilhões.

Setor público: Superávit acumulado no ano

Nos cinco primeiros meses de 2025, o setor público acumulou superávit primário de R$ 69,1 bilhões, o equivalente a 1,35% do PIB (Produto Interno Bruto), revertendo o déficit de R$ 2,6 bilhões (0,05% do PIB) registrado no mesmo período de 2024.

Apenas o governo federal somou superávit de R$ 31,2 bilhões no período. Um dos fatores para a melhora foi o menor volume de pagamento de precatórios neste ano – R$ 30,8 bilhões até o momento. Em 2024, os pagamentos se concentraram em fevereiro; em 2025, ainda não houve essa concentração.

Resultado nominal e dívida pública

Quando se incluem os juros da dívida pública (resultado nominal), o déficit em maio salta para R$ 125,9 bilhões.

Nos últimos 12 meses até maio, o resultado nominal acumulado ficou em R$ 922 bilhões, o que equivale a 7,58% do PIB – indicador que influencia a percepção de risco do país junto a investidores e agências de rating.

As despesas com juros somaram R$ 946 bilhões no período de 12 meses, ou 7,8% do PIB.

A dívida bruta do setor público atingiu 76,1% do PIB em maio, chegando a R$ 9,26 trilhões. No cálculo do FMI, que adota metodologia mais ampla, a dívida brasileira já está em 88,4% do PIB.

Regras fiscais sob pressão

O governo tem como meta fiscal zerar o déficit primário em 2025, mas o arcabouço fiscal permite um desvio de até 0,25% do PIB (aproximadamente R$ 31 bilhões). Os precatórios de R$ 44,1 bilhões também são excluídos do cálculo da meta.

Resumo dos principais dados:

✔️Déficit primário em maio: R$ 33,7 bilhões
✔️Superávit acumulado no ano: R$ 69,1 bilhões (1,35% do PIB)
✔️Déficit nominal em maio: R$ 125,9 bilhões
✔️Déficit nominal em 12 meses: R$ 922 bilhões (7,58% do PIB)
✔️Dívida pública (BC): 76,1% do PIB (R$ 9,26 trilhões)
✔️Previsão de dívida em 2034 (mercado): 93,5% do PIB

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