Expansão do SUS esbarra no teto do arcabouço fiscal, afirma estudo do IFI

Estudo da Instituição Fiscal Independente do Senado alerta que necessidade de financiamento da saúde crescerá acima do permitido pelas regras fiscais já em 2026
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Um estudo divulgado na segunda-feira (7) pela IFI (Instituição Fiscal Independente) do Senado, vinculada ao Senado, alerta que o financiamento integral das necessidades do SUS (Sistema Único de Saúde) poderá ultrapassar o teto de gastos da nova regra fiscal já em 2026. A projeção considera que todas as demandas da população sejam atendidas exclusivamente pela rede pública.

Segundo as simulações do pesquisador Alessandro Casalecchi, autor do relatório “Cenários de longo prazo para a necessidade de financiamento da saúde”, a necessidade de gasto da União com saúde crescerá, em média, 3,9% ao ano em termos reais nos próximos dez anos — bem acima do limite de crescimento real do arcabouço fiscal, que é de no máximo 2,5% ao ano.

“Se todas essas despesas ocorrerem sem redução em outras áreas do Orçamento, o teto será comprometido”, afirma Casalecchi. O especialista lembra que a maior parte do gasto público brasileiro é obrigatória, o que torna difícil a realocação de recursos dentro do orçamento da União.

Subfinanciamento ou ajuste nas regras: o dilema do SUS

A alternativa à explosão de gastos seria manter o SUS subfinanciado — uma prática que, segundo o estudo, implica em deixar parcelas significativas da população sem acesso aos serviços de saúde pública.

O estudo serve como um alerta, e não uma recomendação formal, já que esse não é o papel da IFI. Ainda assim, Casalecchi defende que as regras fiscais precisam ser rediscutidas diante da tendência de aumento nas despesas com saúde.

Pressão estrutural: envelhecimento, inflação e inovação médica

Embora as mudanças demográficas por si só não sejam suficientes para explicar o crescimento projetado dos gastos, o estudo aponta outros fatores relevantes: a inflação específica do setor de saúde, o custo de inovações tecnológicas e o esforço necessário para ampliar a cobertura à população atualmente desassistida.

Casalecchi ainda simulou um cenário no qual o Brasil alcançasse o mesmo padrão de atendimento dos países da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico), com ajustes demográficos. Nesse caso, a necessidade de gasto per capita com saúde saltaria dos atuais R$ 5.027 para R$ 10.486.

Atualmente, o Brasil gasta 9,1% do PIB (Produto Interno Bruto) em saúde, considerando recursos públicos e privados. Para alcançar o padrão médio da OCDE, esse valor teria de mais que dobrar, chegando a 19% do PIB — um aumento considerado insustentável dentro do atual modelo fiscal.

Veja abaixo as principais conclusões do estudo:

Crescimento real de 3,9% ao ano

  • As despesas do SUS deverão crescer, em média, 3,9% ao ano nos próximos dez anos (até 2034), em termos reais — superando o limite anual de apenas 2,5% permitido pelo novo arcabouço fiscal.

Risco de ultrapassar o teto já em 2026

  • Caso o SUS busque atender integralmente à demanda, o estudo projeta que o teto de gastos será alcançado já em 2026, a menos que haja corte de despesas em outras áreas ou realocação significativa do Orçamento.

Aumento de R$ 10 bilhões por ano

  • Em números absolutos, o crescimento real demandará aproximadamente mais R$ 10 bilhões por ano (em valores de 2024) para financiar o SUS.

Pressões além do envelhecimento populacional

  • O relatório aponta que o envelhecimento da população, por si só, não explica o aumento projetado. Outros fatores, como a inflação no setor, inovação tecnológica e inclusão de pessoas ainda não atendidas, também geram pressão.

Custo da equiparação com a OCDE

  • Se o Brasil igualasse seu gasto per capita de saúde ao da média da OCDE (ajustada pela estrutura etária), o valor saltaria de R$ 5.027 para R$ 10.486, elevando o gasto total (público + privado) de 9,1% para 19% do PIB — cenário considerado inviável dentro das regras fiscais atuais.

Dilema fiscal e subfinanciamento

  • O estudo destaca que manter o SUS plenamente financiado exigiria deslocar recursos de outras áreas ou, caso não haja essa realocação, resultaria no subfinanciamento do sistema — comprometendo acesso e qualidade.

Conclusão

  • O estudo da IFI alerta para um conflito estrutural entre a necessidade de ampliar recursos para a saúde pública e as limitações estabelecidas pelo arcabouço fiscal vigente. Sem flexibilização nas regras ou profunda realocação orçamentária, o SUS permanecerá subfinanciado — ou o país correrá o risco de violar o teto de gastos fiscal.
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