A taxação extra anunciada pelo governo de Donald Trump sobre produtos brasileiros impacta diretamente 36% das exportações do Brasil para o país. A medida impõe sobretaxas de até 50% sobre bens importados, incluindo alimentos e bens de consumo, e já começou a provocar ajustes no mercado interno brasileiro.
Entre os efeitos mais imediatos do tarifaço de Trump está o aumento da oferta interna de produtos antes destinados ao mercado norte-americano, o que pode levar à redução de preços no curto prazo. A avaliação é de que setores como café, carnes, ovos, frutas e vestuário sentirão os impactos, tanto no escoamento quanto nas cotações.
O dilema do café com as tarifas de Trump
O caso do café é emblemático. Com exportações ao mercado norte-americano em risco de encolher pela metade, a expectativa é de que a maior disponibilidade interna do grão provoque uma queda temporária nos preços ao consumidor. O fenômeno será potencializado pela colheita de uma safra recorde, já em sua fase final.
O Brasil é o maior produtor mundial de café, que enfrenta uma redução global na produção do grão. Há expectativa, dentro do governo, de que a tarifa imposta por Trump sobre o produto seja revertida.
O peso da carne
A carne bovina, outro produto de peso nas exportações, também pode ter preços pressionados para baixo, diante da redução nas vendas externas e aumento da oferta doméstica.
Em julho, o preço da arroba do boi já havia recuado 7,3%, segundo dados do setor. No entanto, analistas alertam que esse alívio pode ser apenas temporário, com tendência de alta no início de 2026 devido à redução do volume de produção.
Ovos
Os ovos de galinha, cujas exportações ao mercado americano representaram 61% do total embarcado no primeiro semestre, seguem a mesma lógica: mais oferta interna e queda de preços.
O produto já vinha registrando recuo nos últimos meses, após altas no primeiro trimestre. A manutenção do tarifaço deve reforçar essa tendência.
Manga, uva e açaí
Frutas também estão entre os produtos mais afetados. Manga, uva e açaí — que representam 90% das exportações do setor para os EUA — podem inundar o mercado nacional.
A dificuldade em redirecionar esses produtos a novos mercados, como a União Europeia, aumenta a possibilidade de sobreoferta e, com isso, a pressão por preços mais baixos.
Vestuário também projeta perdas
O setor têxtil, por sua vez, projeta perdas financeiras consideráveis. Roupas e calçados produzidos especificamente para atender ao mercado norte-americano agora enfrentam incertezas de destino. Com a queda na demanda externa, os preços desses produtos no mercado interno também devem ceder.
Apesar dos possíveis efeitos positivos para o consumidor brasileiro no curto prazo, especialistas alertam que a mudança abrupta nas exportações pode gerar desequilíbrios em toda a cadeia produtiva, com riscos de redução de empregos, queda na renda e menor consumo. A depender da capacidade de redirecionamento dos produtos a novos mercados, os efeitos do tarifaço de Trump podem ser mais profundos e prolongados.