Os mercados mundiais avançam, nesta sexta-feira (15), com os investidores à espera de dados cruciais sobre o consumo nos EUA, em meio a tensões geopolíticas. A divulgação das vendas no varejo pode indicar se as tarifas comerciais de Donald Trump já afetam os hábitos de consumo das famílias norte-americanas.
Após o salto do Índice de Preços ao Produtor (PPI, na sigla em inglês), o mercado reduziu a aposta em um corte mais agressivo de juros pelo Fed (Federal Reserve, o banco central estadunidense). A ferramenta FedWatch do CME Group aponta agora 92,1% de chance de um corte de 25 pontos-base em setembro, ante 100% no dia anterior.
Além do varejo, serão divulgados nesta manhã os dados de produção industrial, preços de importados, estoques empresariais e confiança do consumidor — todos com potencial de mexer com as expectativas sobre o ritmo da economia norte-americana.
No campo político, os olhares também se voltam à reunião entre Donald Trump (EUA) e Vladimir Putin (Rússia), marcada para as 16h30 (horário de Brasília), no Alasca. Trump afirmou que busca mediar um possível acordo de paz, mas vê dificuldades em um cessar-fogo imediato.
No Brasil, o destaque da agenda é a divulgação da Pnad Contínua do segundo trimestre, que trará dados atualizados sobre o mercado de trabalho. Também seguem no radar os balanços corporativos, com atenção especial aos resultados da GOL (GOLL4), que serão anunciados ainda hoje.
Brasil
O Ibovespa encerrou a sessão de quinta-feira (14) com queda de 0,24%, aos 136.355 pontos, no segundo pregão consecutivo de baixa. O dólar à vista subiu 0,28%, cotado a R$ 5,4171.
O desempenho refletiu o receio dos investidores com o pacote de contingência fiscal apresentado pelo governo, que inclui R$ 30 bilhões em crédito, aportes em fundos garantidores e compensações tributárias.
Parte das despesas — cerca de R$ 9,5 bilhões — deve ficar fora do cálculo da meta fiscal, o que gerou cautela no mercado. O secretário do Tesouro, Rogério Ceron, classificou o plano como suficiente, mas admitiu possibilidade de novos aportes.
Europa
Os mercados europeus sobem, com os olhos da região voltados à reunião entre Donald Trump e Vladimir Putin, a qual pode ser um passo inicial um possível acorde de paz entre Rússia e Ucrânia.
STOXX 600: +0,31%
DAX (Alemanha): +0,47%
FTSE 100 (Reino Unido): +0,06%
CAC 40 (França): +0,53%
FTSE MIB (Itália): +1,11%
Estados Unidos
Os índices futuros dos EUA avançam hoje, com os agentes de olho nos dados do varejo, que podem sinalizar os impactos nos consumidores norte-americanos da guerra tarifária deflagrada por Donald Trump.
Dow Jones Futuro: +0,77%
S&P 500 Futuro: +0,21%
Nasdaq Futuro: +0,02%
Ásia
As bolsas asiáticas fecharam em alta, destoando de Wall Street, com os investidores locais repercutindo o PIB (Produto Interno Bruto) do Japão e a enxurrada de dados econômicos chineses. As ações japonesas subiram 1,6% após a economia do país ter se expandido mais rápido do que o esperado no último trimestre.
As ações de Hong Kong, por sua vez, caíram 1% após dados de julho indicarem desaceleração da economia chinesa, com indústria e varejo abaixo do esperado, um possível efeito do tarifaço impostos pelos EUA.
Shanghai SE (China), +0,83%
Nikkei (Japão): +1,71%
Hang Seng Index (Hong Kong): -0,98%
Nifty 50 (Índia): +0,05%
ASX 200 (Austrália): +0,73%
Petróleo
Os preços do petróleo operam em baixa depois que o presidente dos EUA, Donald Trump, alertou sobre “consequências” se a Rússia bloqueasse um acordo de paz com a Ucrânia, gerando preocupações sobre o fornecimento.
Petróleo WTI, -0,81%, a US$ 63,44 o barril
Petróleo Brent, -0,66%, a US$ 66,40 o barril
Agenda
Nos EUA, serão divulgados hoje os preços de importados; vendas no varejo; produção industrial; estoques empresariais; e confiança do consumidor.
Por aqui, no Brasil, o governo lançará até janeiro um pacote para ampliar investimentos no Tesouro Direto, com destaque para uma “poupança de emergência” atrelada à Selic e sem marcação a mercado, além de operações 24 horas. A nova aplicação dará resgates flexíveis e proteção contra oscilações, visando atrair famílias que nunca pouparam. O pacote também prevê portabilidade automática de títulos, novo site e campanhas de educação financeira. A meta é facilitar o acesso e aumentar o número de investidores, hoje em cerca de 3 milhões. As informações são da Folha de S.Paulo.
*Com informações do InfoMoney e Bloomberg