O governo do presidente Lula (PT) prepara um novo pacote de medidas para popularizar o Tesouro Direto, com foco em atrair pequenos investidores, segundo reportagem da Folha de S.Paulo. As principais apostas são a criação de uma “poupança de emergência” — um título público mais flexível, atrelado à taxa básica de juros, a Selic, e sem marcação a mercado (ou seja, sem estar atrelado ao valor considerado justo de um ativo ou passivo com base no preço de mercado atual) — e a liberação de operações 24 horas por dia, inclusive aos fins de semana. As iniciativas devem ser implementadas até janeiro de 2026, segundo disse à Folha o secretário do Tesouro Nacional, Rogério Ceron.
A proposta da nova poupança busca oferecer uma alternativa segura e previsível para quem precisa formar reserva de curto prazo. “Não adianta incentivar uma família a investir se ela vai precisar daquele dinheiro em três meses e corre risco de perda por oscilação de mercado”, afirmou Ceron.
A ausência de marcação a mercado elimina o risco de perda no resgate antecipado, o que costuma ocorrer em títulos prefixados ou indexados ao IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo).
O novo produto ainda receberá um nome “fantasia”, no estilo do Renda+ (voltado à aposentadoria) e do Educa+ (educação superior), e faz parte de uma estratégia de tornar o Tesouro Direto mais intuitivo ao investidor comum. “Vamos criar produtos por objetivos, e não com nomes técnicos como Selic ou IPCA+”, diz Ceron.
Tesouro Direto: negociações abertas 24 horas
Outro destaque do pacote é a liberação de negociações 24 horas, incluindo noites e fins de semana — possibilidade prevista inicialmente para setembro deste ano, mas adiada para o início de 2026 por motivos técnicos. “Quem trabalha durante o dia não consegue investir nos horários tradicionais. Queremos que uma família que nunca poupou comece com R$ 50”, afirmou.
A medida acompanha uma reformulação completa da plataforma digital do Tesouro Direto, com lançamento previsto ainda para este ano, junto a uma campanha de educação financeira. A ideia é aumentar a base de investidores — hoje em cerca de 3 milhões — e alcançar famílias que ainda não investem em renda fixa pública.
Portabilidade
Outras iniciativas incluem a automatização da portabilidade de títulos entre instituições financeiras, hoje considerada burocrática. “Se o cidadão não está satisfeito com o app do banco X, poderá migrar para o Y sem precisar resgatar o título”, explicou o secretário.
Segundo Ceron, o momento é oportuno para ampliar a base de investidores. Com a taxa básica de juros elevada, aumentou o interesse por títulos longos. “O Tesouro Direto é o investimento mais seguro do país. Não há risco de calote em dívida pública em moeda local. Nenhum”, garantiu Ceron.