ouça este conteúdo
00:00 / 00:00
1x

O governo dos Estados Unidos afirmou, nesta terça-feira (19), que vai usar “todos os elementos do poder americano” para impedir que drogas cheguem ao país, em uma fala da porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, sobre a Venezuela.

Na segunda-feira (18), a agência Reuters publicou uma notícia, com base em relatos de duas fontes, afirmando que três navios de guerra americanos foram deslocados para a costa da Venezuela, com o objetivo de combater gangues envolvidas no tráfico de drogas. Os navios USS Gravely, USS Jason Dunham e USS Sampson chegariam nas 36 horas seguintes, de acordo com a notícia de segunda-feira.

Segundo a Reuters, cerca de 4.000 marinheiros e fuzileiros navais seriam mobilizados para os esforços dos EUA no sul do Caribe, além de aviões espiões P-8 e pelo menos um submarino de ataque. A investida americana levaria meses, segundo a agência.

Em entrevista, a porta-voz da Casa Branca foi questionada sobre essa movimentação, mas não respondeu diretamente. “O regime de Maduro não é o governo legítimo da Venezuela; é um cartel narcoterrorista. Maduro, na visão deste governo, não é um presidente legítimo; é um chefe fugitivo deste cartel, indiciado nos Estados Unidos por tráfico de drogas”, disse.

No início do mês, o governo americano aumentou para US$ 50 milhões (cerca de R$ 270 milhões) a recompensa por informações que levem à prisão de Maduro, acusando-o de ser “um dos maiores narcotraficantes do mundo”.

Maduro mobiliza milhões de homens após ofensiva do governo Trump

Segundo reportagem desta terça-feira da CBS, Maduro afirmou que vai mobilizar 4,5 milhões de homens armados em todo o país em resposta às “ameaças bizarras” dos EUA. O ministro do Interior da Venezuela, Diosdado Cabello, também assegurou que o país está preparado para responder: “Estamos mobilizados em todo o Caribe… em nosso mar, em nossa propriedade, em território venezuelano.”

governo
Maduro mobiliza milhões de homens após ofensiva do governo Trump 

Em nota, o Ministério das Relações Exteriores da Venezuela disse que a atitude “desesperada” de Washington é reflexo do “fracasso das políticas na região”.

“A Venezuela vê claramente o desespero do governo estadunidense, que recorre a ameaças e difamações contra o nosso país. As acusações de Washington contra a Venezuela por tráfico de drogas revelam sua falta de credibilidade e o fracasso de suas políticas na região. Enquanto Washington ameaça, a Venezuela avança firmemente em paz e soberania, demonstrando que a verdadeira eficácia contra o crime se alcança respeitando a independência dos povos”, diz o texto.

Ainda de acordo com a chancelaria, desde a saída da Agência Antidrogas dos EUA (DEA) da Venezuela, o país conseguiu avançar no combate ao crime organizado e no desmantelamento de redes de tráfico. O governo venezuelano afirma que esse movimento representa uma ameaça para a região.

“Essas ameaças não afetam apenas a Venezuela, mas também ameaçam a paz e a estabilidade de toda a região, incluindo a Zona de Paz declarada pela Celac [Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos], um espaço que promove a soberania e a cooperação entre os povos latino-americanos. Toda declaração agressiva confirma a incapacidade do imperialismo de subjugar um povo livre e soberano”, informou Caracas.

Ameaças elevam o tom

Na semana passada, o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, afirmou que estava enviando tropas para o sul do mar do Caribe a fim de realizar operações militares na região. Ele disse que o objetivo era prender traficantes latino-americanos e relacionou um desses grupos a Maduro.

Sem apresentar provas, o estadunidense reforçou a narrativa da Casa Branca de que Maduro é chefe do Cartel dos Sóis, uma suposta organização criminosa. Em 25 de julho, o Departamento de Estado dos EUA classificou o grupo como um grupo terrorista internacional. Rubio afirmou que o tráfico de drogas é uma ameaça à segurança estadunidense e novamente chamou o governo de Maduro de “organização criminosa”.

Na ocasião, o ministro do Interior, Diosdado Cabello, também afirmou que a Marinha venezuelana estaria destacada na costa do país.

A escalada das ameaças estadunidenses começou ainda durante as eleições municipais venezuelanas de 27 de julho. Na ocasião, o vice-presidente de Defesa e Soberania da Venezuela, Vladimir Padrino López, disse que as Forças Armadas venezuelanas identificaram o voo de uma aeronave de inteligência RC-135 da Força Aérea dos EUA “orbitando aproximadamente 80 milhas ao norte da Venezuela”.

Carregar Comentários
Assine nossa newsletter
Receba nossos informativos diretamente em seu e-mail