Os mercados globais operam em trajetória negativa, nesta manhã de quinta-feira (21), com os investidores de olho no simpósio de Jackson Hole, que começa hoje nos EUA, e no aguardado balanço da rede varejista Walmart, após resultados mistos de Home Depot e Target.
Na véspera, Wall Street encerrou em queda, puxada por perdas no setor de tecnologia. O Nasdaq caiu 0,7%, refletindo a rotação de portfólio diante de incertezas sobre os investimentos em inteligência artificial.
A atenção se volta agora ao discurso do presidente do Fed (Federal Reserve, o banco central estadunidense), Jerome Powell, previsto para esta sexta-feira (22). O mercado espera indicações sobre a trajetória dos juros, com mais de 80% de chance de corte em setembro, segundo a ferramenta FedWatch.
Além disso, os EUA divulgam hoje uma bateria de dados econômicos — como pedidos de auxílio-desemprego, PMI industrial e de serviços, e vendas de moradias usadas — que podem reforçar apostas sobre o rumo da política monetária.
No Brasil, a Receita Federal apresenta os dados de arrecadação de julho, enquanto a Polícia Federal avança em investigações contra figuras políticas. O ex-presidente Jair Bolsonaro e o deputado Eduardo Bolsonaro foram indiciados por tentativa de obstrução de Justiça. Já o pastor Silas Malafaia foi alvo de busca e apreensão e teve o passaporte retido.
Brasil
O mercado brasileiro encerrou a quarta-feira (20) em clima de recuperação após a forte queda registrada na terça-feira (19). O Ibovespa avançou 0,17%, alcançando 134.666 pontos, em um movimento mais de correção do que de euforia.
O dólar comercial também perdeu força e caiu 0,49%, cotado a R$ 5,47, enquanto os juros futuros recuaram em toda a curva. Já o bitcoin manteve estabilidade, negociado a R$ 625,2 mil.
Depois de puxarem a forte queda do índice na véspera, os bancos registraram pequenas altas, refletindo uma visão de que o pior pode ter passado.
Europa
As bolsas asiáticas operam majoritariamente em baixa, com os investidores acompanhando os últimos dados econômicos da região. O varejista britânico WH Smith despencou 33,4% no início do pregão depois que a empresa revisou sua orientação para a América do Norte, como consequência do tarifaço do presidente Donald Trump.
STOXX 600: -0,13%
DAX (Alemanha): -0,04%
FTSE 100 (Reino Unido): -0,02%
CAC 40 (França): -0,26%
FTSE MIB (Itália): +0,37%
Estados Unidos
Os índices futuros operam no campo negativo hoje, com os agentes repercutindo a ata da última reunião do Fed, que mostrou que a maioria das autoridades do BC americano destacou os riscos de inflação como maiores que as preocupações com o mercado de trabalho, em função da guerra tarifária deflagrada pelo presidente Donald Trump.
Dow Jones Futuro: -0,17%
S&P 500 Futuro: -0,07%
Nasdaq Futuro: -0,02%
Ásia
As bolsas da Ásia-Pacífico fecharam mistas. Na Austrália, as ações lideraram os ganhos e destoaram do desempenho negativo de Wall Street, pressionada por papéis de tecnologia.
Shanghai SE (China), +0,13%
Nikkei (Japão): -0,65%
Hang Seng Index (Hong Kong): -0,23%
Nifty 50 (Índia): +0,20%
ASX 200 (Austrália): +1,13%
Petróleo
Os preços do petróleo avançam nesta quinta, uma vez que quedas maiores que o esperado nos estoques de petróleo bruto e combustível nos EUA, o maior consumidor mundial de petróleo, apoiaram as expectativas de demanda estável.
Petróleo WTI, +0,72%, a US$ 63,16 o barril
Petróleo Brent, +0,63%, a US$ 67,26 o barril
Agenda
Nos EUA, estão previstas as divulgações dos dados do auxílio-desemprego e exporação de grãos (USDA) semanais; os PMIs da indústria e dos serviços (preliminares) de agosto; moradias usadas de julho, além do início do Simpósio de Jackson Hole, que reúne líderes de bancos centrais.
Por aqui, no Brasil, exportadores de café nos EUA interromperam novos contratos com o Brasil após a tarifa de 50% imposta por Donald Trump, paralisando o comércio entre os dois países, segundo reportagem do Bloomberg. Torrefadores buscam alternativas na Colômbia, Vietnã, México e América Central, mas reconhecem que o café brasileiro é insubstituível em volume e qualidade. A mudança pode desviar mais grãos para Europa e China, enquanto cafeterias americanas já se preparam para repassar parte do custo extra aos consumidores.
*Com informações do InfoMoney e Bloomberg