Índices futuros operam em alta à espera de discurso de Jerome Powell em Jackson Hole

Discurso do presidente do banco central dos EUA deve definir expectativas sobre corte de juros em setembro; investidores ajustam apostas com cautela
ouça este conteúdo
00:00 / 00:00
1x

Os índices futuros dos EUA operam em alta nesta sexta-feira (22), enquanto investidores aguardam o discurso do presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, no simpósio de Jackson Hole. O evento, considerado termômetro da política monetária global, pode trazer pistas sobre os próximos passos do Fed, o banco central estadunidense, diante de sinais mistos na economia americana.

A fala de Powell, prevista para as 11h (horário de Brasília), ocorre em meio à queda na expectativa de corte de juros em setembro. Segundo o FedWatch, do CME Group, a probabilidade recuou para 75,3%, ante 82,4% no dia anterior.

Com o cenário mais cauteloso, investidores vêm rotacionando posições: migram de ações de tecnologia para small caps e papéis de valor, à medida que setores antes deixados de lado ganham fôlego. Analistas esperam um tom equilibrado de Powell — entre a vigilância sobre a inflação e o receio de um aperto prematuro no crédito.

No Brasil, com agenda econômica esvaziada, as atenções se voltam ao cenário político. O setor financeiro acompanha os desdobramentos da aplicação da Lei Magnitsky por parte dos EUA contra bancos brasileiros, após sanções ao ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Alexandre de Moraes. A resposta do ministro Flávio Dino, que rejeita a validade da medida no país, adiciona tensão ao quadro diplomático.

Brasil

Em um dia marcado por múltiplas tensões políticas e sinais econômicos contraditórios, o Ibovespa fechou a quinta-feira (21) praticamente estável, com leve baixa de 0,12%, aos 134.510 pontos.

O dólar comercial subiu 0,09%, a R$ 5,478, e os juros futuros fecharam em alta em toda a curva. Entre os destaques da Bolsa, Vale (+0,85%) e Petrobras (+0,23%) ajudaram a limitar as perdas, impulsionadas por commodities no exterior.

A volatilidade refletiu um noticiário carregado, que incluiu o avanço das investigações contra o ex-presidente Jair Bolsonaro e a divulgação de uma pesquisa eleitoral favorável ao presidente Lula.

Europa

As bolsas europeias operam sem direção única, com investidores atentos ao acordo comercial entre União Europeia e Estados Unidos. O pacto prevê investimentos europeus de US$ 750 bilhões em energia e US$ 600 bilhões em outros setores nos EUA. Em troca, os EUA limitaram tarifas sobre produtos europeus a 15%, ante ameaça anterior de 30%. Uma atualização recente confirmou esses termos e detalhou que medicamentos da UE também terão tarifa máxima de 15%. A medida reduziu temores, especialmente após ameaças de Trump de impor tarifas de até 250% ao setor farmacêutico.

STOXX 600: +0,11%
DAX (Alemanha): -0,04%
FTSE 100 (Reino Unido): -0,09%
CAC 40 (França): +0,17%
FTSE MIB (Itália): +0,19%

Estados Unidos

Os índices futuros avançam hoje, com os agentes de olho em Jackson Hole. O presidente Donald Trump mantém a pressão sobre o Federal Reserve com críticas ao presidente da autoridade monetária, Jerome Powell. A polêmica mais recente aconteceu quando Trump pediu a renúncia da governadora Lisa Cook sob acusação de fraude hipotecária.

Dow Jones Futuro: +0,21%
S&P 500 Futuro: +0,13%
Nasdaq Futuro: +0,06%

Ásia

Os mercados da Ásia-Pacífico fecharam majoritariamente em alta, com os traders acompanhando o simpósio de Jackson Hole, que reúne a nata dos bancos centrais.

Shanghai SE (China), +1,45%
Nikkei (Japão): +0,05%
Hang Seng Index (Hong Kong): +0,93%
Nifty 50 (Índia): -0,54%
ASX 200 (Austrália): -0,57%

Petróleo

Os preços do petróleo operam em alta, caminhando para interromper uma sequência de duas semanas de perdas, à medida que a esperança de paz imediata entre a Rússia e a Ucrânia diminuía, aumentando o prêmio de risco exigido pelos vendedores de petróleo.

Petróleo WTI, +0,05%, a US$ 63,57 o barril
Petróleo Brent, +0,12%, a US$ 67,75 o barril

Agenda

Com a agenda esvaziada, o foco da agenda internacional é o discurso de Jerome Powell, presidente do Federal Reserve.

Por aqui, no Brasil, os bancos suspenderam temporariamente a contratação do crédito consignado CLT, o Crédito do Trabalhador, para migrar 4 milhões de contratos antigos para a nova plataforma da Dataprev. A suspensão deve durar dois dias para novos contratos, enquanto portabilidade e refinanciamento terão espera de até dois meses. A atualização permitirá que trabalhadores façam a portabilidade on-line e negociem melhores condições de juros diretamente pelo aplicativo oficial.

*Com informações do InfoMoney e Bloomberg

Carregar Comentários
Assine nosso boletim econômico
Receba gratuitamente os principais destaques e indicadores da economia e do mercado financeiro.